Donos da guerra e da vida alheia

A guerra entre o capitalismo e sua versão estatal continua. Como não poderia deixar de ser, alimenta-se de cadáveres, mentiras e apetites. Esta não é realidade a que o Mundo esteja alheio. Muito menos é fenômeno recente, a não ser pela sofisticação com que ocorrem a matança e o desdém oferecido à condição humana. Ouvi e tenho ouvido, ao longo dos meus já quase oitenta anos, ser o animal dito superior o único que mata por matar. Àqueles que, subordinados pela natureza, asseguram o equilíbrio através da cadeia alimentar, não é oferecida qualquer alternativa – matar ou morrer é a lei da selva. Pois esta lei, que evita a superpopulação de espécies danosas ao equilíbrio ambiental, conseguiu instalar-se também nas comunidades ditas humanas. Com uma diferença difícil de admitir, dado o livre arbítrio de que o ser dito humano é dotado. Ou seja, depende de seu querer, de sua vontade, matar mesmo sem qualquer risco de morrer. O que, no caso da guerra, não se torna provável. Os riscos são teoricamente iguais, a tal ponto que se pode chegar ao momento em que o próprio Planeta é posto em risco. Não é a primeira vez que o panorama revela a crueza do conflito armado, quando pensávamos ter o Homem chegado a um estágio de desenvolvimento em que o bem-estar contemplasse quase todos os habitantes da Terra. As razões de exclusão das benesses seriam mínimas, nenhuma delas resultante da vontade do próprio Homem. O drama da Ucrânia, cujo território é invadido por tropas russas, não se restringe aos limites geográficos daquele País. Nem Estão apenas naquela nação, na Rússia e nos países limítrofes os interesses que giram em torno do conflito e o veem como benéfico. As motivações que levaram Adolph Hitler a provocar a Segunda Grande Guerra estão presentes naquele pedaço da Europa. Mesmo que muito longe de lá estejam instalados apetites vorazes, acostumados a oprimir povos, conquistar territórios, conspurcar o ambiente social e matar seres humanos, em todos os continentes. A Ucrânia, seu território portanto, não é senão o cenário. Os atores que lá se movem procedem de outros lugares. Fica fácil, assim, entregar-se ao agradável (para os interessados) exercício de matar. Em especial, se é possível poupar seus compatriotas de morrerem. A morte do chamado semelhante diz nada aos que conseguem poupar o próprio sangue.

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