DIA MUNDIAL DO SILÊNCIO
- Professor Seráfico

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José Alcimar de Oliveira*
Neste 07 de maio de 2026 comemora-se o Dia Mundial do Silêncio. A sabedoria, que Agostinho de Hipona define como "medida da alma" (modus ergo animi sapientia est), é fruto do silêncio, da escuta, da reflexão. Nem todo silêncio tem a marca da sabedoria. Nada há de sábio no silêncio demissivo de quem silencia diante da injustiça, ou no silêncio de quem conspira para impedir ou dificultar o caminho da verdade. Kant chama a isso de "crime contra a natureza humana". O silêncio de quem pensa e amplia o campo da reflexão é o verdadeiro laboratório da sabedoria. O silêncio cultivado pela tolice, pelo ódio à razão (misologia), dá abrigo à estupidez e se converte em oficina da ignorância. É necessário que os direitos do espírito e da inteligência tenham precedência sobre o avanço serial da tolice e do cultivo metódico e mediático da estupidez. Como é pobre o mundo em que a ignorância desabriga a inteligência e adquire estatuto de moda. Num célebre texto intitulado Teoria da semicultura Adorno escreve que "a única possibilidade de sobrevivência que resta à cultura é a autorreflexão crítica sobre a semiformação em que necessariamente se converteu". No silêncio matinal de sua itinerância pensante e ruminativa Nietzsche atribuía à filosofia a tarefa de subtrair à estupidez sua boa consciência. Faço minha, no Dia Mundial do Silêncio, a bela oração musical de Chico César: "Deus me proteja de mim. E da maldade de gente boa. Da bondade da pessoa ruim. Deus me governe e guarde, ilumine e zele assim. Deus me proteja de mim".
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*Professor do Departamento de Filosofia da Universidade Federal do Amazonas
[09:27, 07/05/2026] Marcelo Seráfico: DIA MUNDIAL DO SILÊNCIO


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