Desenhando o futuro
Em nenhum outro momento de sua trajetória, o povo brasileiro esteve diante de dilema de tal gravidade. Coloca-o, a circunstância de voltarmos às urnas, no turno terminal da eleição presidencial. Aristóteles, que vê no homem um ser essencialmente político, forneceu a chave que estabelece a diferença entre o dito animal superior e os outros animais. Ao instinto de que também dispõe, o homem acrescenta o livre arbítrio, que faz emergir como condição superlativa, a vontade. Daí justificar-se plenamente a Política como arena e espaço onde a vontade se expressa, individual ou coletivamente. Assim, é ao homem atribuída a mais importante das funções políticas – a construção da sociedade, em um devir permanente. A democracia possibilita o exercício da vontade humana, segundo os valores que a maioria entende superiores. Se Voltaire for lembrado, interessam pouco as convicções que negam o direito de terceiros, diante do direito de todos os demais. Só a democracia pode cuidar do equilíbrio entre vozes discordantes, à altura da dignidade e da humanidade dos protagonistas, de um e todos nós. Aí é que se estabelece o dilema que 25 de outubro resolverá: participar dignamente da ida às urnas, depositando nelas a força da soberania e do amor próprio e aos outros, ou renunciar a esse direito, fazendo-nos colônia dos que se consideram donos do Mundo. E de todos os que o habitam. Nada além disso.


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