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Desdém aplaudido

O estardalhaço feito pelo Presidente da República, quase todo fim de semana, é revelação explícita do nenhum respeito que ele tem pelos brasileiros. À guisa de descanso e lazer, é costume dele sair pelas ruas ou águas do País, montado em jet-skis ou motocicletas, enquanto a inflação come o salário dos mais pobres e a mesa deles fica cada dia mais desprovida. O hábito de a tudo lançar seu ódio e agir agressivamente não é ocasional, se não que um dos traços mais marcantes de sua absoluta falta de condições para o exercício de um cargo público. Qualquer um. Nada é gratuito, contudo, em sua atividade. Talvez ninguém tanto quanto ele sabe persistir na busca de um objetivo, mesmo se contrariando todos os anseios daqueles que constituem a maioria da sociedade. Porque tenha alcançado quase 40% dos votos do eleitorado, em 2018, ele se imagina dono da vontade e do destino de toda a população. Também senhor incontestável da terra, mar e ar, encontrados no território do maior país da América do Sul. Mas não é! Inadmissível é a insistência com que alguns (em cada dia menos, sabe-se) ainda acham de aplaudir as delinquências por ele praticadas. Dentro de uma coerência que a muitos parece menos que firme propósito, baseado em firmes (por mais destituídas de razões que sejam) convicções. O fato de prestigiar milicias, favorecer o armamento da população, opor-se ao funcionamento do Poder Judiciário, contribuir para ampliar os males da pandemia, homenagear torturadores, patrocinar e perdoar delinquentes, zombar das famílias que perderam parentes pela covid-19, agredir tenazmente a Constituição, tentar destruir o próprio Estado brasileiro - tudo isso obedece a uma lógica que, por mais abjeta, todos temos que reconhecer. Nada é gratuito, embora tudo seja risível. Qual de nós não sabe que conduzir (ou ser o carona) motocicleta sem usar capacete é infração? Pretenso dono e senhor de todos os poderes, desde quando candidato ele cometia infrações e crimes ambientais. Nunca negou que os tivesse cometido, e ainda assim chegou ao Planalto. O aplauso dele aos mais variados atos delinquentes, porém, ao invés de vir recebendo a reprimenda de toda a população, mantém ao seu lado fascinados adoradores. Também eles ostentam o mesmo grau de desdém que seu líder e inspirador devota a tudo quanto os bons costumes e as boas práticas políticas e humanas recomendam.

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