Desculpem, eu errei!

O pedido de desculpas vem se tornando regra, diante das más decisões, mesmo - e sobretudo - quando pronunciado pelas autoridades públicas. Mal iniciado o atual governo, da boca de Ônix Lorenzoni ele saiu, como pena a ser paga, pelo crime de caixa dois. A prática se vem repetindo e transformando a expressão em instrumento de defesa, governo e poder. Tão grande a hesitação, enorme a leviandade, tamanho o desprezo pelo interesse úblico, a tanto corresponde a necessidade de pedir escusas. Tal prática, longe de constituir manifestação de polidez ou arrependimento, não passa da tentativa de fazer da expressão um álibi, capaz de deixar sem a devida punição os agentes de fatos por todos os títulos puníveis. De polidez, já se sabe não se tratar. Seria inimaginável classificar assim o uso da expressão, saindo da boca suja dos que a têm usado. Arrependimento não é o nome que cabe ao costume, reiterado como tem sido. Imagine-se absolver Adolph Eichmann, o carrasco nazista que coordenou o assassinato de seis milhões de judeus, porque ele acaso pedira desculpa pelos seus atos! Menos mal que produzir e disseminar mentiras, a tentativa de mostrar-se polido ou arrependido não deveria livrar os delinquentes das penas prescritas em lei. Boa oportunidade está sendo oferecida ao Poder Legislativo, onde funciona uma CPI dedicada à apuração dos ilícitos cometidos sobretudo em razão da pandemia. Por mais que muitos descreiam totalmente de que o órgão temporário do Senado chegue às últimas consequências, apostar que assim será pode ser uma tentativa - voluntária ou não - de concorrer para isso. Dê no que der, absolvição ou condenação dos iimplicados hão de ter sólidos fundamentos, e é isso o que os cidadãos realmente interessados no combate à corrupção devem exigir. O exemplo das indignidades cometidas por Morro, Dalagnoll et caterva estão muito frescos, para admitir que sejam repetidas. Desde que, é claro, o STF continue na direção do respeito e defesa da Constituição. Nada elém disso!

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