Democvacia ou ditadura/Soberanos ou vassalos
Os da geração nascida nos anos 1940, feliz – infelizmente, dirão outros – testemunhamos profundas alterações na sociedade, criando mundo diferente do que resultou de Yalta. Nessa cidade às margens do mar Negro, os vencedores militares da Segunda Grande Guerra talvez tenham tido semelhante impressão. Desde que as desnecessárias bombas atômicas pagaram o preço de centenas de milhares de vidas humanas, em Nagasaki e Hiroshima, aceleraram-se as mudanças na configuração geográfica, social, política e geopolítica do Planeta. A consequência mais visível e comentada tem no muro de Berlim o símbolo da chamada guerra fria, que só agora se percebe bem menos danosa que a guerra quente põe a nu, no atual genocídio do povo palestino e nos conflitos localizados em curso nos vários continentes. No entremeio, a perversa partilha de territórios, em fase capaz de adicionar novas características ao processo de exploração de povos e dos recursos contidos em seus respectivos lugares. Roosevelt, Stalin e Churchill prometeram ao Mundo o que não lhes passava pela cabeça entregar. Assim, construía-se uma sociedade que, nem por romper as fronteiras nacionais, foi capaz de desmentir o verdadeiro significado da reunião na cidade ucraniana: a guerra só militarmente foi vencida pelos Aliados. O império que duraria um milênio infiltrou seus maléficos e desumanos propósitos em todas as nações do Mundo, a tal ponto que permanece vivo o horizonte anunciado por Adolph Hitler. Se a denúncia dos crimes de Stalin, a queda do muro de Berlim, a Primavera de Praga e as revoluções libertárias de que a Argélia (mas não só ela) talvez seja o maior exemplo, não fizeram esmorecer o propósito do cabo austríaco. Continuam vivos e se expandem os valores inspiradores do nazismo e do fascismo, atualmente servidos pela tecnologia mais avançada que nos foi dado até aqui conhecer. Mesmo valores alegados como princípios básicos de diferentes religiões sucumbiram à sedução do enriquecimento material, engrossando o coro dos discípulos de quem se viu derrotado pelas armas – e não mais que isso. Hoje, o princípio da soberania dos povos e da independência das nações vai sendo gradualmente abandonado, tanto quanto grande parte das correntes religiosas transformou seus supostos templos cuja fidelidade e profissão de fé nada têm a ver com as prédicas de seus fundadores, em meras sedes de rendosos negócios. Nem sempre – se dizer nunca for exagero – honestos e minimamente consentâneos com a religiosidade pretextada. Tudo isso, mas não só isso, explicaria as circunstâncias em que os brasileiros iremos às urnas, domingo próximo. Aqui, mais que a preocupação com a segurança jurídica que só aos donos do poder e do capital (aqui, uma redundância) beneficia; mais que o nível inferior dos interesses postos em jogo; da subserviência descarada aos interesses de outra nação – é legítimo, justo e oportuno observar atentamente qual o dilema que se impõe aos brasileiros. Acima de tudo, será lúcido o voto dos que perceberem o risco de nos tornarmos mais uma estrela (menor, decerto) na bandeira dos que se auto- arrogam o papel de donos do Mundo. Se há brasileiros que se sentem orgulhoso de repetir Joaquim Silvério dos Reis, Brilhante Ulstra e cabo Anselmo, a grande maioria é diferente deles. Essa a esperança que resta, para ver os votos se transformarem na melhor arma contra as traições e os traidores. Às urnas, cidadãos!


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