Dúvida hamletiana

Atualizado: 22 de jan.

O Partido dos Trabalhadores talvez esteja enfrentando dilema a que nunca se viu exposto. A recepção a Geraldo Alckmin é muito distante da que cercou a Carta aos Brasileiros, embora semelhantes os objetivos dos dois expedientes. Expressiva parcela dos filiados e algumas lideranças (nas correntes internas existentes) resistem ao candidato a vice, mais uma tirada da cartola de Luís Inácio. A ambos, Lula e seus aliados internos rebelados, não faltam razões. Todas elas ponderáveis, dependendo do ponto de vista de cada qual. Há quem entenda o dilema como integrado por alternativas, se não reciprocamente excludentes, difíceis de conciliar. O dia pós-eleição, como sempre mas pouco lembrado, parece não importar. É a partir dele, porém, que começa a colheita - boa ou má. Valerá eleger o Presidente e não assegurar apoio legislativo suficiente para mantê-lo no posto? Neste caso, basta mencionar as dificuldades atuais, ainda não de todo superadas, para dizer com certeza que Lula disputará o cargo. As linhas e as entrelinhas publicadas mostram isso. A alternativa seria alcançar bancada de oposição majoritária, capaz de criar para o eleito dificuldades capazes de torná-lo preso aos interesses da população. Aqui, o fortalecimento da bancada petista e dos que, à esquerda(?), tenham conseguido reduzir o centrão a quase nada, tem importância fundamental. Estas considerações configuram e apontam a direção do olhar dos disputantes e dos que os acompanham. E reduzem tudo à questão crucial: desejamos O governo ou Um projeto de nação?

O bardo de Stratford-upon-Avon deveria ser consultado.


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