Dói dizer

Parecerá ironia desejar feliz ano novo, na passagem de 2020 para 2021. Como povoar corpos e mentes do prazer e da esperança costumeiros nesse período do ano, quando vírus naturais e vermes humanos se juntam em pródiga produção da infelicidade – da morte, seu suprassumo? Como esperar menos abundantes as águas escorridas de olhos que não viram a tempo os riscos e as pedras no meio do caminho? Como converter fanáticos apressados, como os ratos de Hamelin, céleres em direção ao mais profundo abismo? Se não basta a ameaça do vírus, como evitar a aglomerações, usar permanentemente as máscaras, já que as outras, irremovíveis, acompanharão muitos até o ponto final – com o cortejo da covid-19 ou sem ele? Como admitir a festa do Nascimento transformada em homenagem às parcas? O vinho transformado, além de lágrimas, em sangue derramado; o peito arfando, o sem-sabor de tudo ocupando nossas bocas, nem o aroma do lírio improvável entrando em nossas narinas? Dói dize-lo, mas dizer é preciso.

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