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Cravo e ferradura

Seja qual for a razão, os fundamentos das políticas neoliberais permanecem vivos. E direcionam as iniciativas governamentais, a despeito de pequenos avanços na área social. No máximo, a pequena martelada no cravo, uma forte batida na ferradura. A martelada identificada com benefícios aos mais pobres; a batida correspondendo ao favorecimento dos ganhadores de sempre. A esta altura, tornou-se impossível esperar mudanças significativas na pirâmide sócio-econômica do Brasil. Aqui e acolá se podem encontrar projetos e decisões aparentemente positivos. Como sair de zero para zero vírgula cinco. Na outra ponta, decisões como a continuidade da desoneração que premia em escala bem maior o topo da pirâmide. Do que não se pode esperar mais que o aumento da população que consome, grande parte dela ainda assim sob o risco de permanecer na zona da fome. O aumento do consumo, sem que as relações sociais sejam minimamente abaladas, não produzirá um só novo cidadão. Tudo como advoga a cartilha neoliberal, particularmente aquele pedaço das forças produtivas que não realmente produz mais que fortunas cada dia mais concentradas. Ainda assim, entre produzir bens que levem ao aumento do consumo, e arrochar os ganhos dos mais pobres, a preferência desse segmento é a última. Setores que sempre incomodaram os produtores de lucros exorbitantes e, na outra ponta, miséria humilhante, continuam postos de lado, mesmo quando os benefícios (às vezes, mera compensação de perdas) são irrisórios. É o caso dos professores universitários, talvez pelo que têm identificado nos muitos vícios e injustiças persistentes no evangelho neoliberal. Razões ou pretextos de variada ordem podem ser apresentadas pelo governo. Desde a qualidade das nossas elites, até a disposição golpista dos que não desejam perder um centavo sequer de seus estratosféricos ganhos. Quem sabe Lula poderia percorrer o País, como já fez outras vezes? Desta, denunciaria os grilhões impostos pelo centrão e mostraria por que medidas mais profundas e duradouras se vêem barradas na Câmara, sobretudo nela. Ano que vem haverá eleição municipal. Os que praticam a chantagem certamente não desejam ver frustrados seus planos eleitorais, em 2024.

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