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Contagioso e letal

É antigo o ditado quem com muitas pedras bule, uma lhe vem à cabeça. Em qualquer atividade, em qualquer lugar sempre haverá os que, inspirados seja por qual for interesse, acabam se dando mal. Alguns conseguem recuperar-se do revés, enquanto outros não têm força interior capaz de fazê-los melhores. Continuarão sua vida de infortúnio, frequentemente por terem se dedicado a fazer desafortunados os que escolheram como alvo de suas péssimas inclinações e de desumanidade incontornável. Ainda é cedo para dizer-se de Sérgio Moro, o ex-tudo (juiz, promotor, policial, coordenador; ministro da Justiça; empregado de empresa estrangeira de alguma forma incluída no dossiê da Operação Lava-Jato), não ter recuperação. Isso seria dito com boa margem de segurança, se da parte dele se conhecesse algo capaz de desfazer a impressão deixada na sociedade, enquanto ele não havia posto todas as unhas de fora. Qual um portador de doença transmissível e altamente letal, o ex-coordenador da Lava Jato aparece como indesejável em qualquer ambiente a que dê o ar de sua desgraça. A volúpia pelo poder e pelo dinheiro fizeram dele uma das figuras mais execráveis, a tal ponto que as portas se vão fechando sucessivamente para ele. Desejou ser ministro do Supremo Tribunal Federal. Não o conseguindo, desgastou-se com o beneficiário de um dos seus atos eivados de parcialidade. Como estes foram quase todos os que sua assinatura consagrou, aqui e acolá não lhe faltaram manifestações de repúdio, nojo em boa linguagem. De avalista do Presidente, recebida a paga pelo serviço sujo, sem que a toga lhe fosse posta sobre os ombros, passou a inimigo do ex-aliado. Julgou sua pueril (será apenas isso?) vaidade suficiente, para imaginar-se ocupando a cadeira que o beneficiário de suas patranhas ocupa. Tentou aproximar-se das lideranças políticas, porque uma das virtudes da democracia que ele tanto rejeita exige a filiação partidária. Foi preciso recorrer ao senador Álvaro Dias, para saber que nem tudo o que se quer se pode. Ainda mais quando o próprio nome do partido sugere repúdio ao que não é coletivo, o nós, não o eu. O Podemos teve que mandá-lo a outras paragens. Frustrada a ambição de subir a rampa do Palácio do Planalto, ele começou a descer a rampa da vida. Seria, então, senador, deputado federal, o que lhe aparecesse à frente. Desempregado e não tendo conseguido os milhões de dólares que com Dalton Dalagnoll tentou abiscoitar, até um mandato de vereador lhe serviria. Buscou enganar a Justiça Eleitoral, trocando de domicílio. Em São Paulo lhe pareceu mais fácil o enriquecimento pretendido. A porta em que bate sempre é aberta por alguém que, atento à trajetória dos grandes artistas e dos grandes bufões, sabe fazer a diferença. Por isso, agora anda, como também se dizia no passado, de Ceca a Meca. Vá lá! Um mandato de vereador em Laranjal, PR, talvez seria um bom começo.

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