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Consuma-se a profecia de Ulysses

Reunião de ontem, 26 de fevereiro de 2026, da Comissão Mista de Inquérito do INSS testemunha mais que uma das escaramuças que os parlamentares costumam protagonizar. Grande parte deles dizendo-se apolítica, as cenas revelam, além da absoluta ignorância de seu papel institucional, ponto marcante da previsão de Ulysses Guimarães. O falecido Presidente do Congresso que produziu a chamada Constituição-Cidadã parece ter profetizado aquele momento, embora ele não contenha a menor dose de ineditismo. Porque se autointitulam apolíticos, a chusma que se reúne sob denominação sequer digna do Parlamento (bancada do boi, bancada da Bíblia, bancada da bala etc.), acha pouco a sujeira que tem produzido, de que não são poupados os cofres públicos. Isso tem a ver, especificamente, com a conquista de verbas que escorrem ao alvedrio de cada chefete político, para irrigar (no sentido puro e, também, no figurado), as áreas de sua influência. Sem que o menor gesto ou sinal de transparência acompanhe o uso dos recursos. Vias que dão acesso ao local em que criam um dos tipos de gado tão ao seu gosto, açudes ou vias que dão acesso a esses parques de diversão lucrativos, iniciativas que lhes propiciam ganhos indiretos - tudo ao sabor da ofensa ao eleitor e agressão aos mínimos preceitos de cidadania, acabam por receber a contribuição que outros, não-sonegadores, deixam nos cofres da União, Estados, Municípios e Distrito Federal. Ontem, à falta de argumentos, mas abundantes em seus temores, deputados e senadores foram aos bofetes. Às vias de fato, como diziam os repórteres policiais do passado. É nos punhos que se concentra a carente energia que aos cérebros costuma ser negada a esse estirpe de nossos cidadãos apolíticos, uma extravagância literária, para dizer o menos. Ou literal, como mais recomendável afirmar. Se há fundo, além daquele produzido pela dinheirama assim amealhada, ele estará no poço a que corresponde a previsão de Ulysses: se não gostam deste Congresso, esperem para ver os que esperam a hora dos que verão chegar. O velho político paulista não diria melhor. Mesmo prevendo o pior.

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