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Consequência, não causa

O massacre de um jovem congolês, no Rio de Janeiro, na última segunda-feira, não pode ser encarado como fato corriqueiro. Embora frequentes e repetitivas, ações desse tipo correspondem ao clima social que se instalou nesta república teimosa em permanecer no passado. Pior, sob o estímulo, a animação e o cultivo da maior autoridade pública do País. Não é só o desprezo votado ao combate à pandemia que permite relaciona-lo à morte a pauladas do refugiado africano na barra da Tijuca. A facilitação da importação, comércio, porte e uso de armas de fogo tem direta relação com o ambiente social. Embora a vítima da segunda-feira tenha sido abatida a pauladas, a agressividade e a intolerância patrocinadas pelas autoridades não podem ser desvinculadas desses e de outros trágicos acontecimentos. A isso muitos têm dado o nome de necropolítica, não sem razão. Deve ser acrescida à gravidade do caso em si mesmo, a origem racial do jovem nascido no Congo. Porque, tanto quanto ele, os riscos de terem igual destino seus irmãos de cor são maiores que os de outras raças. Não sei se é demasiado tarde para fazermos a nação estancar o processo responsável por mais este massacre. Sei, porém, que a sociedade não pode resignar-se, pura e simplesmente. Isso faria de cada um de nós, que nunca vimos e possivelmente nunca veríamos o congolês morto, cúmplices desse e de tantos outros massacres, os ocorridos e os que temos motivos para supor que ocorrerão

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