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Ciência e ignorância

Nestes tempos de verdade sem evidência, nada melhor que o cultivo da ignorância. Freud e seus seguidores certamente saberiam dizê-lo, não eu, parcos e escassos meus conhecimentos na seara dos estudiosos da mente humana. Felizmente, aos pobres e lamentáveis negacionistas opõem-se os que usam a cabeça não apenas como separador de orelhas. Alguns desses, quixotes de uma época devorada pela inverdade, têm claras as nefastas consequências da supremacia da ignorância sobre a Ciência. Essa, em última instância, a razão pela qual a ONU se empenha em promover a divulgação científica, na expectativa de neutralizar os efeitos maléficos da desinformação proposital, de que resultam as chamadas fake-news, que prefiro referir pelo nome certo - mentira. É esta, todavia, posta em cena não mais como um desvio de conduta eventual, acidental e distraído. Ao contrário, passou a ser estratégia, tática e procedimento oficial, mundo a fora. Daí justificar-se a iniciativa da Organização das Nações Unidas, tão malsucedida na legítima pretensão de civilizar o Planeta. Grupo de divulgadores da Ciência procedentes de vários países produzirão material informativo a ser inicialmente divulgado pela rede Tik-tok. Pelo menos três divulgadores científicos brasileiros já foram convidados, dentre eles a conhecidíssima Natália Pasternak, bióloga e fundadora do Instituto Questão de Ciência. Com ela, figura carimbada nestes sombrios tempos de covid-19 e tantos outros vermes bípedes, estão Gustavo Cabral de Miranda, biólogo integrante da equipe que desenvolve a vacina, da Oxford University; e Rômulo Néris, imunologista pós-doutorando na Universidade Federal do Rio de Janeiro. Todos interessados em divulgar a Ciência neste mar de desinformação, como afirma Pasternak. Que tem Taschner como último sobrenome. Soldados cujas armas promovem a vida, não a morte, esses brasileiros dedicam-se ao melhor combate, cujos rescaldos não se contam entre mortos e escombros, porque garantir a vida de seus semelhantes, de preferência impedindo-os de adoecer, é sua missão. Por enquanto, a divulgação será feita numa só rede. Quem sabe, ganha a primeira batalha contra a ignorância, outros bastiões do inimigo se renderão?

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