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Cela 2455

A suspeita de que a Prevent Sénior praticou a eutanásia e antecipou cuidados paliativos, enquanto pesquisava sem o conhecimento e o controle dos órgãos científicos e sanitários, remeteu-me ao passado. Como a maioria das coisas de que o País se tornou palco, desde 2016. Especificamente, a memória fez emergir diante de mim o processo a que respondeu um tal Caryl Chessman, norte-americano autor de vários crimes, condenado em janeiro de 1948. Somente em 1960 o ladrão, violador e raptor nascido no Michigan em 1921 foi executado, embora já (desde 1948) condenado à morte. Enquanto seus advogados conseguiam adiar a execução, Chessman escreveu livros, o primeiro dos quais com o título 2455 Cela da morte. O impacto do livro e as questões por ele levantadas em favor de alterações nas leis penais da Califórnia, levaram-no a escrever depois A face cruel da Justiça e A lei quer que eu morra. Resultou disso a suspensão de sua execução, decretada pelo então governador Edmund Brown, para que o legislativo californiano introduzisse mudanças nas leis penais. O desfecho, como dito acima, foi a execução do réu, doze anos após sua condenação. Não sem antes provocar ajustes necessários a tratamento menos injusto dispensado aos presidiários de San Quentin e outras penitenciárias norte-americanas. Minha memória foi requisitada (e por isso escrevo agora), diante dos procedimentos atribuídos à Prevent Sénior e aos que a estimularam e apoiaram, transformando instalações hospitalares em novas celas 2455. Também muito devo à monstruosa decisão de um juiz, punindo a autora de um furto famélico de forma multiplicadamente mais rigorosa que as penas geralmente aplicadas aos ladrões do dinheiro público e das esperanças coletivas. Quando não se beneficiam do sepultamento, por século até, de notícia sobre sua hediondez. (Quem já ouviu alguma referência ao bom juiz francês Paul Magnaud, 1848-1926, sabe o que faz a diferença entre uns e outra).

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