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Castração

As mesóclises de Michel Temer foram um divisor de águas. O Brasil, antes dele, era uma coisa. Depois dele, revelou-se quanto uma nação suporta de ofensas, agressão, atos indignos, linguagens e ações mais aparentadas das hienas ou dos ratos. Tudo passou a rescender esgoto. O cheiro, de carniça. As balas, mais cultivadas que a palavra, o argumento. Revólveres, fuzis e granadas, ao invés de livros. Até que as urnas registraram, como nas democracias ocorre, a sentença que incomoda os déspotas, até os menos esclarecidos. Isso não quer dizer - e aqui está o perigo - que os clones de Idi Dadá, Pinochet, Stalin, Hitler, Trump, Videla e Papa Doc tenham todos desaparecido. Quando não é em alguma capital, Barra do Piraí, no Estado do Rio de Janeiro, oferece o cenário. Desta vez, revelação de malthusianisno anacrônico, posto da boca do próprio prefeito, em linguagem obscena que dispensa o baixo calão. Porque, mesmo assim, o é no grau mais baixo ainda. Baixíssimo. Mário Esteves, esse legítimo herdeiro do ex-capitão excluído e depois tornado inelegível, propôs nada menos que a castração das mulheres de sua cidade. Esse, no (mau) juízo do gerente municipal, o meio mais eficaz de estancar a demanda por creches. Depois, zombando de seus munícipes e desdenhando da inteligência de seus contemporâneos, Mário Esteves disse que estava em um momento de descontração. Para completar, explicou que tentava dizer laqueadura. Ou seja, emendou-se tornando-se mais agressivo ainda. O primeiro resultado o prefeito de Barra do Piraí já colheu. Foi expulso do Solidariedade. Outra consequência, de que se beneficiariam os habitantes de sua cidade, pode vir, se a Câmara Municipal não se pauta pelo ideário de que Malthus se ocupou. Melhor, ainda, se os pósteros do prefeito se virem definitivamente livres dos clones dele. Bastaria proceder quanto a ele, da forma que ele recomenda às mulheres de Barra do Piraí.

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