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Cara queimada

A adulteração da máxima popular (pôr a mão - pela expressão pôr a cara - no fogo) não destoa. É adulteração, como tudo o mais a que se tem assistido. No caso ora comentado, há queimadura, só não se sabe ainda de que grau. O Presidente da República disse com todas as letras e o ódio inspirador permanente, de seu aplauso, aval e apoio à conduta do sinistro de Educação de seu (des)governo. A conduta do auxiliar, a rigor, seguia apenas os valores e propósitos do próprio (des)governo instalado: um Estado fundado em valores distantes milhões de quilômetros da laicidade própria das repúblicas; a obediência cega aos apetites dos correligionários em detrimento e hostil aos interesses da sociedade, como exigível na democracia; ofensiva aos ditames constitucionais reguladores das atividades e dos limites das decisões oficiais. Conduta, portanto, absolutamente inscrita nas tais quatro linhas em que se diz movimentar o próprio Chefe. Ainda que isso ofenda e desafie a Constituição em vigor. Por enquanto, da Carta Magna ainda não foram removidos os mecanismos que deixam remanescer alguma coisa do sistema republicano e democrático, mesmo se cotidianamente a boiada atravessa os rituais vigentes desde 1988. A porteira, como se sabe, continua aberta. Essas as circunstâncias em que é anunciada a exclusão de Milton Ribeiro do MEC. Afinal, as eleições batem à porta e é preciso dar algum sinal aos eleitores-visitantes. Mesmo se tais sinais trazem potencial de inquietação maior. Surge por detrás da cara queimada personagem facilmente identificada nos meios políticos e policiais, não menos que Valdemar Costa Neto, notório cidadão, e não por méritos e qualidades que mereçam a louvação de pessoas sérias. É um dos condenados pela Justiça, nas ilicitudes que há décadas ganham as manchetes. Línguas serão mordidas, como tem ocorrido. Mas o comandante de todas essas agressões ao Estado Democrático de Direito sabe avalia-las, sempre em seu único e exclusivo proveito. Se seus pés se assentam sobre o barro do centrão, não há porque desviar-se dos caminhos aprendidos quando não havia motivo para escondê-lo. A eleição proporcional, disputada durante quarenta anos, é bastante diferente da eleição majoritária. Nesta, até queimar a própria cara vale a pena.

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