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Carência de humanidade

Considero das maiores imbecilidades sugerir aos admiradores de regimes pretensamente socialistas que vão para lá onde é tentada sua implantação. Como a imbecilidade tem sido marcante nesta época trevosa da história humana, frequentemente se ouve: então, vai pra Cuba! Por que não levas tua família para viver na Coreia do Norte? Agora, por causa da guerra com a Ucrânia, a Rússia tem sido o destino sugerido pelos imbecis. Seria muito fácil dizer a eles que suas crenças, não raro completamente ou vizinhas de tosco e miserável fanatismo não provocariam em qualquer dos que eles odeiam e agridem resposta à altura – da imbecilidade deles. Seria apenas trocar o sinal, se lhes recomendássemos: vão para a Ucrânia! Vão para o Yemen! Vão para o Afeganistão, para o Iraque. Ou para a Turquia, a Hungria, os Emirados Árabes. Para aquelas terras onde a presença dos seus adorados patrões lhes asseguraria a liberdade de que se dizem defensores. Responder na forma miserável de que se utilizam os agressores significaria ombrear-se com eles, repetir o gesto e a manifestação de abissal ignorância, por mostrá-los incapazes de acreditar que o Homem é dotado de inteligência e discernimento. Sequer se dão conta de se sentirem eles mesmos não mais que animais, sem a menor condição de pertencerem à classe dos animais que têm consciência, pensam e são dotados do que se chama livre arbítrio. Nas expressões de sua própria infelicidade, de resto o reconhecimento de condição confortavelmente inferior, nem imaginam que as ideias são próprias dos animais ditos superiores. Os que não as têm, mesmo que ponham somente as duas antigas patas traseiras sobre o solo, contentam-se em expor sua animalidade. Não poderiam, portanto, agir com humanidade, pois dela carecem.

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