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Cabo Anselmo do chorão

É de militares que o eventual comandante-em-chefe de período moribundo considera propriedade sua que vem a informação. Talvez ainda não o ranger de dentes, mas o choro incontido chamou a atenção dos presentes em solenidade costumeira nos quartéis. O antes boquirroto e destemperado quase-ex-Presidente não foi capaz de repetir suas bravatas, menos ainda de pilheriar sobre o sofrimento de terceiros, como de seu hábito. É possível que as quatro paredes em que se deixou ficar, uma vez repudiado por 60 milhões de eleitores, retenha o ruído do ranger de dentes. Ou, hipótese também plausível, chegará a hora de gastar o esmalte da dentadura, em cena aberta. Motivos não faltam, nem faltarão. Um deles bem pode ser a previsão de crescimento da solidão em que o derrotado em 30 de outubro se acha. Antes, só o deserto em sua cabeça não o deixava perceber, junto com a rotundeza da Terra, a crescente possibilidade de isolamento. Infinitamente menor que o posto a que chegou, o ex-capitão vê-se mais uma vez excluído. Agora, não apenas pelos que ele mesmo tentou tirar da obscuridade. Outros, que se provam mais espertos, renegam sua liderança e anunciam novas defecções. Simbólico, o distanciamento gradativo de Tarcísio Freitas não tardará a estimular as glândulas lacrimais do quase ex-Presidente, nem se imagine definitivamente sepultada na memória deste a figura do cabo Anselmo. Não cabe aqui dizer quem foi essa execrável criatura, encontradiça na literatura sobre o golpe de 1964. Minha esperança é a de que os ignorantes daqueles fatos e da sucessão de tantos outros que nos trouxeram ao vexame dos últimos seis anos abandonem a caverna e deixem o sol entrar em seu paupérrimo bestunto. Parafraseio o que ouvi em composição de que Maria Betânia foi intérprete: a loucura é o sol que não deixa o juízo apodrecer. Quando não há loucura, só perversidade e tara, impossível deixar a caverna. E a podridão se expressará com mais força e caráter irreversível.

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