Brincadeira macabra

Enquanto recrudesce a letalidade da covid-19, o desemprego ameaça a sobrevivência de milhões de brasileiros, a fome se alastra, a violência é usada contra pessoas e territórios, o Presidente da República repete suas demonstrações de desprezo, se não ódio, aos brasileiros. Desde ontem, ele participa e dirige motociatas financiadas com dinheiro público. Pretende ele, com essa diversão macabra, naturalizar fatos e atos devidos única e exclusivamente à forma como (des) governa o País. Nem me dou o trabalho de destacar tratar-se de ato de campanha eleitoral, em período ainda não autorizado em Lei. O absoluto desprovimento de qualquer traço que justifique considerá-lo um ser humano vai tentando impor-se, e não apenas no que diz respeito às funções por ele hoje ocupadas. Rachadinhas, envolvimento com atos delituosos que ele protege por décadas e até século, estímulo ao enfrentamento armado entre irmãos, calculada negligência em questões exigentes de sua decisão - isso e muito mais fazem da abjeta figura um campeão de incursões nos vários capítulos do Código Penal. Foi pouco, para ele, a transformação da capital amazonense em epicentro da pandemia, porque faltou oxigênio quando alto era o índice de hospitalização de vítimas do vírus. Este, não mais que um dos muitos e eficazes e deletérios instrumentos de que se tem valido para cumprir sua trágica missão. Dias antes das motociatas de Belém(17-06) e Manaus (ontem, 19), ele mesmo afirmara não ser o oxigênio necessário ao ser humano. Pior, estabelecendo o malicioso e absurdo dilema: o homem vive sem oxigênio, mas não vive sem a liberdade. Não se esperasse dele, se não por absoluta desinformação, que soubesse o papel do oxigênio para a vida das pessoas, dos outros animais e dos seres a ele assemelhados e do Planeta. O conceito de liberdade, com que ele pretende esconder os maus desígnios que o inspiram, não pode despertar mais que repugnância. Não bastasse a inviabilidade de gozar de liberdade (mesmo a falácia de que ele se faz propagandista) sem estar vivo, ele vê nas armas de fogo o grande instrumento libertário. Se ainda houver interesse em saber sobre necropolítica, basta acompanhar o cotidiano dessa figura que a dignidade brasileira porá para correr, em 2 de outubro próximo. Chega de morte! Viva a Vida!

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