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Benditas eleições

No simulacro de democracia em que vivemos, as eleições podem não cumprir as funções a que deveriam dar curso: possibilitar e estimular a rotatividade do poder em especial. Esta, como está, mostra-se comprometida pelos próprios critérios de distribuição dos recursos. Quase ninguém destaca a importância do ontem, não do amanhã, nessa distribuição. Por isso, o que detém o poder é o mais bem aquinhoado. Há, no entanto, um efeito residual das eleições periódicas, que os maus vícios de que a legislação se nutre não conseguem apagar. E que fica a critério exclusivo do eleitor. Refiro-me à conduta dos postulantes à reeleição e de muitos que, velhos em atividades profissionais, sejam quais forem, estão em busca de um mandato. Alguns até, buscam o mandato como qualquer acusado busca um habeas-corpus. Mas isso é outro caso. Neste momento e em relação a tema atualíssimo e parte do nosso cotidiano, bom exemplo pode ser dado pela agonia que o decreto presidencial castrador da ZFM (ou PIM) causa à economia amazonense. Sem nenhuma surpresa, o ato que esgota a competitividade das empresas estabelecidas em Manaus foi suficiente e ostensivamente anunciado. Mesmo assim, a subserviência, o oportunismo e o aplauso das lideranças nunca foi negado. Algo muito parecido com o que se conhece por Síndrome de Estocolmo. Se desta vez o corre-corre habitual não levar à amenização do prejuízo, que ao menos abra os olhos dos cidadãos. Alguém dizer-se enganado, a esta altura não é mais que deslavado exercício da mais abjeta hipocrisia. Mais frequentes e agressivas, as hostilidades contra o PIM caracterizam as relações do Ministério da Economia, desde o início do atual (des)governo. Não houvesse qualquer outra oportunidade em que essa conduta deletéria se expôs, basta lembrar a reunião sinistra em que o desejo de matar desde ministros do Supremo até as pequenas empresas foi dito, com o palavreado de botequim (que me perdoem os botequineiros, se a comparação os ofende!) tão em voga nos círculos (des) governantes. Não tardará a ser passado o cuspe no selo. Se colar, colou. E mandatos serão renovados, outros conquistados, para que a farsa não abandone o palco. As tragédias gregas eram melhores, Pelo menos, ensinavam mais...

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