Balanço necessário
- Professor Seráfico

- 16 de ago. de 2022
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Declarações do ministro Alexandre Morais, não demorará feito Presidente do Tribunal Superior Eleitoral, trazem conteúdo de singular ambiguidade. Sem atenta leitura e competente análise, pode-se ver otimismo nas palavras de Morais. Se às entrelinhas for dada a atenção devida - indispensável, seria melhor dizer -, a interpretação trará pouco motivo de alegria. Para Morais, o cenário de golpe, em cuja construção tanto se tem empenhado o Presidente da República, tem pouca probabilidade de funcionar. Se não bastassem as razões do otimismo do magistrado, concorrem para fortalecê-las, duas visitas: a dele mesmo ao Planalto onde levou o convite para sua posse no TSE e a do sempre anti-diplomático Paulo Guedes, ao Supremo Tribunal Federal. Isso gerou a expectativa de distensão, ao preço de um ignóbil acordão. Destacando das declarações de Alexandre Morais o que seria mero detalhe, a interpretação ganhará outros contornos. Dentre as razões do magistrado inclui-se a suposta rejeição do alto comando à escalada golpista e, afinal, ao golpe pretendido pelo Presidente da República. Ou seja, a democracia que se pretende é figura de retórica, se depende do humor, dos propósitos e dos interesses da caserna, não da sociedade. Isso não me parece bom para a democracia. A não ser que democracia não é o que aprendi, nem o que faz bem à maioria.


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