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Balão furado

Enquanto os balões juninos ameaçam queimar lugares distantes do Pantanal, outros balões furam facilmente. E derramam sobre os países em que as bolhas ganham gás as fezes com que são construídos. Assim foi nos Estados Unidos da América do Norte e no Brasil, antes; assim foi ontem, na Bolívia. Isso não quer dizer que o reacionarismo da direita esteja morto. Nem que só aquele país vizinho cumpra sua própria tradição. A frustração do golpe de ontem pode indicar, porém, que golpistas e os que os patrocinam não terão vida fácil no futuro. A reação internacional, imediata mostrou que quanto mais se consolidarem governos democráticos no mundo, mais faltará ar aos inimigos da democracia. Nunca será demais chamar a atenção para um equívoco(?) assaz reiterado - a ilusão de que em 1945 as bombas atômicas lançadas contra Nagasaki e Hiroshima, mais a morte de 6 milhões de judeus e mais de 20 milhões de cidadãos da então União Soviética significou a vitória da chamada civilização cristão ocidental. As forças aliadas mataram tanto quanto pareceu necessário aos comandantes e governos dos países nelas incluídos, sem alterar o resultado político a que se assiste ainda hoje. Não conseguiram matar, no entanto, a ideologia nazifascista, essa Fênix dos tempos pós-modernos. Fiaram no coração e na cabeça dos sobreviventes supostamente derrotados o mesmo ódio, a mesma vocação para a violência, o mesmo desdém pela vida humana e os valores tantas vezes proclamados. Desta vez, oferecendo instrumentos multiplicadores da sentença de Goebells - a mentira circula, atualmente, com muito maios desembaraço. Não são mais os judeus o objeto do ódio e da morte que armas sofisticadas promovem e facilitam, onde quer que os pretensos donos do mundo ponham suas botas. Ao contrário, apenas as vítimas são outras. Uma briga entre gato e rato, tão interessante quanto lucrativa para certo segmento econômico, os que produzem e vendem armas. De qualquer maneira, da Bolívia vem o sinal positivo destes dias: é, sim, possível impedir os golpes de estado! Mesmo em nações onde eles parecem parte do calendário nada gregoriano produzido por suas elites.

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