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Aras, bolas!

O anedotário político criou oportuna metáfora, para descrever as amarguras que a perda de poder impõe aos que, derrotados pelas urnas, deixam os palácios. Diz-se deles que passam a tomar água quente e café frio, mal os subordinados percebem a decaída. Se isso dá certa validade ao abandono do posto, como o temos visto nestes últimos dias de 2022, nada acrescenta ao desertor, se ele jamais ocupou de fato as funções que por direito conquistou. Como se tem visto desde 2019. Deve doer mais que outra coisa, porém, quando Brutus sequer esconde a faca com que atinge, sempre pelas costas, pretenso Júlio César, mesmo os de hospício. Como de hábito, o quase ex-Presidente premiou autores do massacre do Carandiru, concedendo-lhes indulto de Natal. Mais um, dos extravagantes, reiterados e delinquentes gestos com que homenageia os que torturam e matam seres humanos. Esta, todavia, é uma longa história, conhecida ao menos desde que descoberta a tentativa de levar aos ares a estação de abastecimento de água do rio Guandu. Depois que o caminhão de mudança passou pelo Palácio da Alvorada, a figura minúscula de Augusto (quanta ironia!) Aras deu-se conta de ser chefe da Procuradoria Geral da República, não da banca de advogado de defesa de acusados de variada gama de delitos. Por isso, após longa, trágica e deletéria passagem pelo posto, descobre que massacrar cidadãos presos e postos sob a custódia do Estado, em uma penitenciária, é crime hediondo. Como se não tivesse sido ele mesmo o responsável pelo engavetamento e o encobrimento de tantos outros atos de delinquência praticados pelo mesmo agente. O que o nomeou para o posto. Por isso, leva sua assinatura o pedido da PGR ao Supremo Tribunal Federal, buscando a suspensão do ato hediondo que concedeu o indulto só agora visto como inconstitucional.

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