Amigo de quem?

A análise da destituição do vice-presidente da Câmara dos Deputados tem suscitado variedade de interpretações. Os analistas geralmente levados ao sabor das ideologias, interesses e apetites a que se vinculam e aos quais servem. Há, porém, estudiosos que mesmo sendo poucos põem luz sobre os fatos. Não buscam satisfazer os apetites que animam os outros, nem incluem a subserviência no rol de suas aptidões. Podem, portanto, opinar segundo os critérios que seus compromissos como cidadãos estabelecem. Um desses é o sociólogo Marcelo Seráfico, da Universidade Feferal do Amazonas. Em entrevista prestada ontem à BandNews-Difusora, o profissional não fingiu a pretensa surpresa frequentemente revelada por outros comentaristas. Mostrou com precisão cirúrgica estarmos diante de um simples episódio da marcha antidemocrática instaurada no País, sob a liderança do próprio Presidente da República. Em resumo bastante breve, e até certo ponto indicando outros aspectos e fatos merecedores de atenção, permito-me trazer algumas perguntas que, respondidas, poderão ajudar a compreender a realidade a que nos trouxeram as urnas eletrônicas de 2018, as mesmas hoje sob releva

virulenta e inadmissível ameaça. Pergunto, pois:

  1. Onde a interferência direta do Presidente da República na Câmara difere de tantos outros atos por ele provocados?

  2. Como esperar independência do Presidente da Câmara, face ao histórico de sua vida política e sua influência no centrão?

  3. A desmoralização do Legislativo conta com a figura mais relevante na estrutura do Poder. Alguns diriam tratar-se de cabal exemplo do fogo amigo. Agora, a pergunta final, sem ser exaustiva: amigo de quem?

2 visualizações0 comentário

Posts recentes

Ver tudo

A Biblioteca Nacional homenageou a violência e reverenciou a barbárie, ao conceder a medalha da ordem do mérito do livro ao deputado condenado pelo STF Daniel da Silveira. Tanto quanto se sabe, e a co

Interessados em cinema, como produtores e diretores mais que espectadores, não terão muita dificuldade, se quiserem lançar filme de violência, mesmo se um bang-bang nos moldes tradicionais. Pelo menos

O qualificativo inscrito no título dá o tamanho da bossalidade que tomou conta do País, sem fazer economia. Tudo feito segundo o modelo de caixa em que se enrolam e embrulham os mais representativos a