Agência de empregos

Criadas no período em que pretensos social-democratas mandavam no País, as agências ditas de regulação trataram como ainda tratam, de proteger e beneficiar os que seriam forçados a comportamentos e decisões pelo menos dignas de um ideário ilusoriamente chamado neoliberal. Não é isso o que tem ocorrido, desde então. Com o que já se tornou clara a intenção dos governantes de ontem, Os de hoje, cuja voz é mais grossa ao apresentar o mesmo pretexto falsamente liberal, põem o barco a correr com mais velocidade, desta vez carregada de material didático. Refiro-me, por óbvio, à matéria penal que se embute na indicação dos dirigentes dos órgãos ditos reguladores. Lá, apontam diversos meios de comunicação, encontra-se material capaz de sustentar rico curso de Direito Penal e de todo o aparato jurídico e legal referente a práticas criminosas. Não falta, na apreciação dos nomes indicados e apreciados pelo Senado, outras práticas que, se não são criminosas, deveriam merecer tal classificação. Uma delas, as ditas sabatinas a que se submetem os agraciados (fazer graça não é exclusividade dos palhaços de circo, nem dos humoristas de televisão). Trata-se, segundo alguns analistas, um instrumento pro-forma, destituído de qualquer influência na escolha imperial do mandatário maior. Disso resulta o conceito conquistado pelo Senado, nos círculos que criticam o acumpliciamento - melhor talvez fosse dizer submissão - do Legislativo com o Executivo. As tais sabatinas e o papel que elas jogam na nomeação dos dirigentes das agências apelidadas reguladoras faz do Senado mera agência de empregos. Isso, sem financiamento ostensivo do capital privado nas eleições. Isso, porém, é assunto para outro texto. Basta reter na memória que toda empresa tem dono ou donos. Eles podem, sim, concorrer com alguns trocados para alimentar seu gado.

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