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A negação da ciência é uma estratégia de dominação das elites

Existem outras categorias além da política. Algumas consideradas mais decisivas na história, como destacava Lênin. Logo, vejo como reducionismo atirar tudo no balaio da política, como se economia, cultura, ciência, religião fossem concubinas de Maquiavel ou mesmo de Aristóteles.

Reconheço a importância da política num mundo dominado pela força do Estado e pelas relações de poder que se impõem às relações sociais e humanas, mas é na economia que o mundo se estrutura desde quando os primeiros grupos sociais se organizaram. Não é por acaso que ainda hoje ouvimos falar em um tal de neoliberalismo e num deus chamado mercado, ambos devastadores da espécie humana; opressivos e desumanos.

E tão importante quanto a política temos a ideologia dominante, manipuladora, que faz da política sua amante apaixonada.

Não menos intrometida é a cultura, arma sutil que extermina pela alienação.

Mas todas essas categorias social, econômica, politica e cultural vivem em movimento. Não são estruturas inertes, eternamente a serviço de uma ordem. Delas também podemos construir a resistência e as bases de um novo mundo e novas sociedades.

Em diálogo permanente com esses “fatos sociais totais” está a ciência, uma categoria marcante da modernidade e responsável pelo desenvolvimento da humanidade numa velocidade astronômica.

A negação da ciência não é um simples jogo ideológico de dominação e alienação. É o que há de mais perigoso nos dias de hoje, pois põe em risco todas conquistas científicas e mesmo tecnológicas do processo civilizatório, sejam elas do paleolítico ou da revolução digital. É a defesa de um retrocesso que compromete nossa existência.

Não defendo a ciência como verdade absoluta, como querem alguns “neopositivistas”. Só entendo que por trás da sua negação há interesse em tornar o conhecimento cada vez mais propriedade de poucos.

A ciência está sendo negada ao povo através da ação indutiva da ideologia dominante, que se utiliza dos próprios recursos tecnológicos para dizer que ele não é fruto da criação humana. Há muito medo do povo se apropriar do conhecimento e descobrir sua capacidade transformadora.


Lúcio Carril, sociólogo

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