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A MANGUEIRA – MAIS UMA VEZ

16 de mar. de 2023
3 min de leitura

(Vitória Seráfico – abril, 2010)



Cantada em prosa e verso, a beleza das mangueiras é ressaltada como cartão postal mais representativo desta nossa Belém. Infelizmente, a cada dia, nossa cidade vem perdendo a sua característica de Cidade das Mangueiras, exatamente porque o descaso, a incompetência, até mesmo o desconhecimento do manejo com que deviam ser tratadas concorrem para o desaparecimento de nosso vegetal-símbolo. Queda de mangueiras já faz parte do dia-a-dia. Já é fato recorrente, que não desperta mais o espanto nem a admiração de ninguém. Creio que, em alguns, nem mais a indignação.

Juntem-se a elas algumas samaumeiras centenárias que adornavam o antigo arraial de Nazaré, frontal à Basílica. Quantas delas já se foram!...

Há poucos dias, desabou, de uma vez só, uma secular e frondosa mangueira situada exatamente à frente do prédio onde moro.

Tão grande e tão majestosa, que seus galhos foram danificar as vidraças do prédio defronte, do outro lado da rua. Em alguns apartamentos, a copa da árvore chegou até à sala. Seu tronco, de um diâmetro incalculável, dificultava a própria retirada, apesar de todos os equipamentos modernos que estavam sendo usados.

Entretanto, não é bem a queda da árvore que me leva a escrever esta crônica. Não. É a emoção que a reflexão me traz, lembrando os detalhes que cercaram o fato.

Era o dia 02 de abril, de 2010 – Sexta Feira da Paixão.

Todos os anos, eu, Fátima, Lúcia e Eloísa, cunhada, cumprimos o ritual de, no dia da Paixão de Cristo, visitar 7 igrejas.

Também é costume da família -além dos almoços dominicais, reunir na Sexta-Feira Santa e no Domingo de Páscoa, em minha casa (o Quartel General, como dizia o Fortunato Athias, quando morávamos – ele também - no João Rocha).

Neste 2010, tão logo acabou o almoço, por volta das 14:30 horas, começou a se formar um enorme temporal, prenunciando muita água pra nossa tarde. Isto fez com que cada núcleo familiar apressasse a saída, pra escapar da chuva e dar tempo de chegar à sua casa. Alguns visitariam as igrejas à tardinha.

Nós quatro decidimos enfrentar o iminente toró, uma vez que o carro da Lúcia estava estacionado em lugar privilegiado, bem juntinho à mangueira, o que – a nosso ver – não traria dificuldades para nos acomodarmos e seguirmos nosso destino.

Deixamos que os primeiros saíssem, pra descer logo depois. O carro de cada um (João, Jorge, Jaime, Paulo etc) estava defronte, e eles precisavam se apressar, antes que a chuva caísse.

Finalmente, descemos as quatro. Ainda no elevador, percebemos que a chuva estava desabando. O aguaceiro já tomava conta da cidade. Mesmo assim, não desistimos e mantivemos o propósito de seguir em frente.

(junho – 2020).

Nestes dias de quase desespero, tento aliviar minha tensão, no teclado do computador. A perda ou internação de pessoas queridas, próximas a mim e aos meus, por conta da covid-19, é a lamentável justificativa pra esse pânico constante em que me encontro. Amanheço e anoiteço assim. Geralmente, em lágrimas, busco saber dos irmãos, cunhadas, sobrinhos(as), uma vez que o vírus impõe o nosso afastamento, situação nada comum entre nós. Aumenta a nossa preocupação a (ainda) inexistência de vacina recomendável e a incerteza de que nada nos acontecerá. Então, busco lembrar momentos felizes. Por isso, escolhi falar do meu piano. Juntei, pois, os dois teclados: computador e piano. Ambos me são muito prazerosos.

. . . E, assim, nasce mais uma crônica. (Nota do Editor: Como se verá brevemente).


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