A LUTA PELA NOSSA HUMANIDADE

Refiro-me aos valores imprescindíveis para construção de uma sociedade fraterna, solidária e justa.

Não tem sido fácil a construção da nossa humanidade. Continuamos cedendo à barbárie e aquilo chamado de processo civilizatório vive sob as pancadas das guerras, do racismo, do preconceito, da destruição do meio ambiente e da violência generalizada.

Temos no mundo, hoje, cerca de 28 conflitos armados, 800 milhões de pessoas passando fome, há genocídios de jovens e negros em muitos países, incluindo o Brasil, onde um jovem é assassinato a cada 17 minutos. A escravidão ainda é uma realidade, mesmo que ilegal. O feminicídio e a violência contra a mulher continuam encontrando guarida em muitas sociedades. Enfim, cadê nossa tão almejada humanidade? Cadê nossos valores humanos de amor, justiça e tolerância?

Tenho acompanhado aqui no Brasil as campanhas em defesa da vida, em particular aquelas que deram cores aos meses do ano. Tenho visto o empenho do movimento feminista e da sociedade civil organizada no combate ao feminicídio. Louvo as campanhas de educação no trânsito. Defendo as jurisprudências de condenação do preconceito aprovadas na suprema corte.

O problema é que tudo isso tem se mostrado inócuo diante do crescimento das várias formas de violência. Está sendo fácil para o rebotalho que governa o país implementar seu projeto de destruição cultural. Não se trata apenas de uma questão política. O que está em jogo é a civilização ou a barbárie. E o retorno à barbárie tem milhões de defensores distribuídos por todas as classes e segmentos sociais.

O que fazer, então, para defender os melhores valores do ser humano?

É preciso, de imediato, degolar a cabeça do monstro e interromper seu crescimento. Para destruir seu corpo e retomarmos o processo civilizatório, o colocando num caminho irreversível, será necessário iniciar a construção da cidadania das novas gerações.

É na educação que vamos extirpar das relações sociais o feminicídio, o racismo, o preconceito e todas as mazelas que impedem o ser humano de construir sua humanidade. Isso será possível com a humanização do processo educativo, através das disciplinas responsáveis pela reflexão crítica do mundo e das relações entre as pessoas; da missão humana na construção do amor, do bem e da felicidade.

O investimento em educação não pode ter teto. Dele depende o futuro. Mas a educação precisa fazer do ser humano um ser do amor e não da guerra e da intolerância.

É inadiável a retomada da civilização, a derrota da barbárie e a instauração de uma visão de sociedade e de mundo, onde a arte, em toda sua dimensão, e a ciência sejam partes intrínsecas de uma nova educação, humanizante e libertadora.


Lúcio Carril

Sociólogo

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