A doença e seus remédios


Entendo, como grande número de brasileiros, ser problema gastar mais do que se ganha. Penso que isso vale para União, os Estados e Municípios, tanto quanto para as pessoas, as famílias e empresas. O conceito de elasticidade formulado pelos economistas não afeta a Matemática. Seu conteúdo, apurado segundo critérios construídos por outras ciências sociais, sempre dependerá do comportamento humano. Justifica-se, portanto, promover abrangente reforma administrativa. Assim, será possível aplicar o remédio certo, a partir do diagnóstico correto. Chegar ao diagnóstico, contudo, depende do ângulo de que se aprecia o problema, dos interesses a que servirá a medicação e do estado geral e particular do paciente. Haja números e variáveis para analisar. No caso do Brasil, verificam-se peculiaridades a que nem sempre estão atentos os chamados especialistas. Às vezes, analistas. Não se tem ouvido uma só informação a respeito do percentual de servidores públicos em relação à população dos países. Tenho a informação de que o Brasil está longe da pole position. Talvez valha observar que a própria qualidade dos serviços que o Estado oferece em troca da arrecadação está abaixo de razoável aceitação. Aplauso, nem pensar!...Só isso seria suficiente para levar em conta a hipótese de ser deficitária a mão de obra ocupada pelo Estado, não o contrário. Também a comparação entre a remuneração dos barnabés (permitam-me o anacronismo) brasileiros e a forma como são tratados não pode escapar à análise do mais vulgar estudioso. Quem um dia tenha ouvido falar em recursos humanos, expressão em si mesma inadmissível, sabe da importância do homem nas organizações. E do quanto ele pode envolver-se em melhorar continuamente seu desempenho e sua dedicação ao trabalho que lhe é confiado. Isso não será alcançado, porém, se não houver o mínimo aceno de que ele encontrará no trabalho uma fonte de satisfação de seus desejos, sonhos e aspirações. Exatamente o contrário do que a administração tem feito. Destaque-se, neste aspecto particular, o desajuste entre a remuneração oferecida aos servidores públicos até pelo traje que são obrigados a vestir. Manifesto-me, sempre que posso, a propósito do salário desrespeitoso recebido pela maioria dos servidores públicos brasileiros, a começar pelo mais alto deles, o Presidente da República. Penso serem em sua grande maioria miseravelmente pagos. Mas não tolero os puxadinhos lamentavelmente criativos, utilizados para remunerá-los melhor. Sempre sub-repticiamente, às escondidas. Também não me comove a qualificação usada, sempre que se põe em xeque o papel do Estado. Rejeito a palavra de ordem estado mínimo. Melhor será tê-lo do tamanho necessário, dadas as necessidades da maioria da população – e sua exigível satisfação – como pedra de toque. Falta dinheiro para tanto? Certamente! Mais certa, ainda, é a dinheirama retida na mão de contumazes devedores do Erário, para os quais não faltam boas escolas e hospitais privados (estes também aquinhoados com boa parte do dinheiro público), além de outros serviços a que a maioria dos cidadãos não tem acesso. Experimente-se obter a devolução dessa fortuna para os cofres públicos! Talvez baste para até alargar o Estado, levando-o ao tamanho necessário.

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