A campanha dos bancos
Marcelo Seráfico*
Os bancos estão em campanha!! Seus "trackings" os levam a apostas no cassino eleitoral. As empresas de levantamento de opinião pública operam como oráculos políticos e as instituições financeiras passam a agir orientadas por seu costumeiro wishfull thinking, que termina sendo profecia anunciada dada a determinação com que investem dinheiro e prestígio para eleger quem mais lhes interessa. O papel daquelas empresas nos processos eleitorais tem sido deletério para a política. Com o argumento de oferecer um retrato da opinião pública, elas se tornaram, de fato, em um agente político central para as campanhas, esvaziando os candidatos de seus eventuais compromissos político-ideológicos e forjando produtos no mercado eleitoral.
Se a imprensa é um problema, essas empresas também são parte dele. Agora mesmo, gerentes de instituições financeiras, brokers etc. estão telefonando para investidores para recomendar voto em Flávio, pois isso acalmaria o mercado e reduziria a taxa de juros. E mais, recomendam investimento em ações de IA, sendo que estas empresas estão com enormes dificuldades de realizar lucros.
É uma bolha se formando cheia de cúmplices irresponsáveis.
Na verdade, há um golpe em pleno andamento que, para ser contido, exigiria uma vitória de Lula no primeiro turno. A mídia, os bancos, o agro e as Big Techs estão administrando a situação para lidar com dois cenários: evitar a vitória de Lula no primeiro turno e, caso ele vá e vença no segundo, mantê-lo nas cordas.
Hoje, 25 de setembro de 2026, Lula entregará o outro dedo mínimo num jantar com banqueiros e escroques de diversas áreas. No passado foi a carta redigida por Pallocci, o crápula; depois o arcabouço fiscal de Haddad, o tecnocrata que a cada dia que passa se parece mais com um Faria Limer; agora é somos nós todos, servidos de bandeja no jantar para a burguesia faminta.
Para evitar a eleição do fascista, gangster, aceitaremos ser comida de aves de rapina.
A situação política nacional não tem solução simples. O certo é que Lula será refém, como já é, e Flávio, capitão do mato, que também já é, mas sem o Estado nas mãos.
Não é exagero: a eleição de Flávio Bolsonaro significa a pá de cal na ideia de um país como uma possibilidade de nação.
Lula não interdita essa tendência, apenas a desacelera e com isso dá algum tempo para a esperança se manifestar.
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*Sociólogo e professor da UFAM, o autor é tambem colunista da BandNews/Difusora FM - Pensa Manaus Rotina às segundas-feiras, 09:30.


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