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A bola da vez

As coisas estão se complicando para o Presidente da República. Menos pela ação dos que dele discordam, que dos fanáticos que o seguem. Os primeiros juízos feitos a respeito do candidato à reeleição que prometeu eliminar esse mau hábito vêm do general Ernesto Geisel. Para o ditador nacionalista, o tenente indesejável como camarada em armas era um indisciplinado, um mau caráter. Nem mesmo a convergência da visão de mundo e das gentes ostentadas em comum por ambos impediu o desabafo do militar gaúcho. Por isso, não foi a diferença de grau com que os dois tratavam a tortura capaz de alterar o julgamento de um pelo outro. Enquanto Geisel emprestava apoio à tortura, limitando sua aplicação aos subversivos perigosos, o subalterno a desejava universal. Desde que desse universo estejam excluídos os membros de sua própria confraria. Esses mesmos que, jurando fidelidade canina (que me perdoem os cachorros) ao tenente indisciplinado, seguem-no nas práticas reiteradas que os brasileiros dia-a-dia testemunham. Agora, vê-se crescer a lista desses amigos, queridos até o momento de disparar o fogo que trazem consigo. Tornam-se, por força das circunstâncias, arquivos indesejáveis. Correm o risco de ter queimadas não apenas suas caras.

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