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Óleo e ódio

Dizem os entendidos que todas as máquinas dependem de uma força que as faça funcionar. Sucessivamente, essa força vem sendo substituída, o que evita a paralização das máquinas de que o automóvel é a mais visível. Desde a Revolução Industrial, a inteligência humana dá provas de sua inventividade, para o bem e para o mal. A tal ponto que a tecnologia e o uso de múltiplas formas de energia, do vapor às fontes que ameaçam os combustíveis fósseis, abrem horizontes antes insuspeitados. Enquanto trabalhadores são tornados escravos em minas de carvão, a energia solar beneficia crescente e já numerosas residências e fábricas no País. Refinado, o óleo cru coloca em marcha estabelecimentos e meios de transporte, sendo fator indispensável à vida contemporânea. No ambiente social, é reduzido embora importante o uso das fontes conhecidas de energia. Porque exigente de sentimentos mais que de objetos, as relações sociais apresentam grau de complexidade muito maior que o ostentado pela máquina, mais sofisticada ela seja. Daí que o mundo da política implica conhecimentos que o maior especialista em mecânica ou nas ciências ditas exatas raramente tem condições de oferecer. É do Homem, suas necessidades e sentimentos, além de sonhos e desejos, que entendem os políticos. Não se dispensam desse raciocínio os administradores, não fosse a administração, por si mesma, um apêndice à Política. Enquanto esta aponta os rumos, trata a outra de levar por eles aos objetivos pretendidos. Na última sexta-feira, os interessados nesse tipo especial de relações interpessoais terão aprendido, se realmente lhes interessa aprender. A cerimônia em que se festejava os 132 anos do porto de Santos (SP) proporcionou verdadeira aula a quantos a presenciaram. Menos porque todos os atos e ações vinculados à instituição que o dirige tenham sido todas bem-intencionadas. Isso, porém, é assunto para a História e, dependendo dos propósitos oficiais e policiais, motivo de exigente curiosidade. Outra coisa é que ressalta da cerimônia que juntou o triPresidente Lula, alguns de seus auxiliares (quem sabe alguns xerimbabos de todo nível?) e o governador Tarcísio de Freitas. Não terão se abstido, óbvio, xerimbabos ao seu lado. A forma como Lula tratou e a todo momento se dirigiu ao agora opositor constituiu marco quase esquecido da política brasileira. Ao ódio que alimentou quatro anos de mandato preenchido por desmandos de toda ordem, muitos deles agressivos às leis - desde a que se diz ser a Maior, até os regulamentos e regimentos internos da administração pública, Lula preferiu a cortesia e o ambiente leve. Comentarista da Globo News, o jornalista Otávio Guedes foi feliz e preciso em sua observação: ao ódio que alimentou e continua alimentando a direita mais retrógrada do Planeta (essa datação é do autor deste comentário), o atual Presidente da República marcou sua presença e a dos que lá estavam com um comportamento digno de quem consolida no mundo a classificação de estadista. O oxigênio político de Lula , portanto, é diferente tanto do que foi negado aos pacientes da covid-19, quanto do ódio de que se alimentam os inimigos da democracia. Para Lula, seduzir os adversários e conquistá-los é melhor que os mandar deste para o outro Mundo.

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