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É bom começar a pensar sobre...

Encontro em uma dessas redes que usam espaço e tempo para debater temas importantes, assunto no mínimo instigante. Por isso, desafiador. Desafiado a refletir sobre o que disse Stephen Hawking (Universidade de Cambridge), falecido há poucos anos, tento seduzir outras pessoas a fazer o mesmo. Talvez uma forma de exercer prerrogativa com a qual os outros animais não foram dotados. O celebrado físico e cosmólogo britânico advertiu a sociedade humana para a possibilidade do fim do Mundo. Sim, ele não se contentou em constatar que só a vida humana é finita. Também a casa onde o Homem mora pode desaparecer. A hipótese, por mais estranha que pareça, revela-se aterradora (sem trocadilho, por favor!) Quando se imagina um fim para o Planeta, quase sempre escapa da memória o cenário em que viviam os grandes sáurios, que acabaram por ser exterminados. Se isso não terá representado algum tipo de fim do Mundo, não sei o que lhe possa chamar. Por isso, dei atenção às preocupações a advertências de Hawking. Para ele, pelo menos seis causas poderão levar-nos ao desaparecimento coletivo, conosco desaparecendo (se não é do contrário que se trata)o grande envelope que nos enclausura, coletivamente - a Terra. O que ele chama "o lar". Hoje isso vem ocorrendo com frequência incomparável, em escala substancialmente menor. Nos morros de Petrópolis, em Brumadinho, na floresta amazônica, na Ucrânia sob bombardeio, lá onde têm ocorrido tsunamis, poderemos ver a miniatura da grande morte. A primeira das causas antecipadas(?) pelo professor britânico tem muito a ver com a teoria de Malthus. O nível de consumo e o crescimento da população mundial nos levariam à impossibilidade de atender a todos os habitantes do Planeta. Daí a busca de outros pontos no Universo capazes de serem ocupados pelo Homem. É disso que se trata, já, em vários países. Principalmente aqueles onde o consumo é valor cultivado, estimulado, inventado, de que a grande causa e, também o mais importante efeito, é a desigualdade. (Aqui, não é Hawking que o diz). Chegar a esse novo lar importaria desviar recursos aptos à superação de muitos dos problemas terrenos atuais para outras finalidades, ao mesmo tempo em que arriscaria praticarmos lá os mesmos tipos de domínio e apropriação das riquezas que causarão o fim da Terra. A segunda ideia do cosmólogo morto em 2018 tem a ver com a (im?)previsível invasão de extraterrenos. Se eles forem mais inteligentes e aptos que nós, os terráqueos, como aventado, seremos por eles dominados e teremos o fim de quase todas as conquistas, ao longo da História. Uma terceira provável causa de desaparecimento do Mundo como o conhecemos seriam as mudanças climáticas. As amostras em pequena escala, como indicadas acima, fornecem pistas de que Hawking pode ter carradas de razão. Se, neste caso, a ação antrópica pode desencadear reações naturais incontroláveis, o próximo pressuposto resulta da ação do Homem sobre ele mesmo - a inteligência artificial. Aquilo que Hobbes admitia - o homem como lobo do homem - assumiria violência e velocidade ainda maiores do que o experimentado entre os outros animais, subestimados e tidos por inferiores. O avanço teria tal alcance, a ponto de se tornar incontrolável. A engenharia genética seria outro contribuinte da exterminação do Planeta. As possibilidades abertas por esse novo campo da Ciência e da Tecnologia no mínimo desfigurariam a Terra como a conhecemos. Por último, uma outra guerra em caráter global é incluída na lista de causas do fim do Mundo. Penso, em princípio, que esta é a menos provável de todas as causas, ainda que alguns apostem nela. Possivelmente, até, pela esperança de que, mortos todos os atuais habitantes do Planeta, as baratas remanescentes levariam a um outro tipo de relações que não temos sido capazes de construir. Contas na ponta do lápis ou em possantes e potentes engenhocas eletrônicas é que darão a sentença final: se for possível acumular mais e continuar desfrutando da acumulação, e se vender armas e estimular guerras menores mas permanentes, oferecer mais, talvez este seja o caminho. Se, porém, gerar tsunamis, desertificação, aquecimento intolerável, pandemias e quejandos, der mais lucro - por que titubear? Isso, porém, é especulação do escrevinhador destas linhas. Quem souber mais e melhor, que não me negue sua palavra. De advertência ou aplauso.

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