Palcos da Vida

Permanecem no ar

ruídos e sentimentos

deixados na cara de um negro

sobre tapetes vermelhos

tingidos da cor por

pouco não liberada

de um rosto agredido

uma piada mal posta

sendo a luva que armou

a mão agressora


dir-se-ia um estopim

partido de outro negro

negra a mulher

em cujo ventre

teria prosperado o desejo

de vingar-se


gendarmes do mundo

estejam onde estiverem

agridam com as mãos

ou entreguem essa tarefa

suja às armas

assanharam-se todos


É Smith quem tem razão

dizem alguns

mas foi Chris quem atirou

a primeira pedra

muitos respondem

os trajes bem recortados

escondem sobre o vermelho

do tapete

não a glória para debaixo

dele remetida

mas instintos que o melhor

filme não descreve


Custa pouco esquecer

Martin Luther King

ou cobrir com o desdém

a memória de

George Floyd


Qual terá perguntado

a diferença entre

o que bateu e o que

apanhou?

Onde compram suas camisas

e sapatos?

Menos ainda

com quanto cada qual

contribui para o Tesouro

Nacional...


A calvície de Jada Pink Smith

aparente soberba límpida

as mãos do marido

revelando dentro de outra cabeça

sujeira que Chris Rock

não perceberia

na cruz pendurado

ou no asfalto

em passos desconjuntados

Mais uma cena no palco

patético da Vida...


Manaus, 05-04-2022

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