Bolha


Bolha

De repente percebo-me

numa bolha

imagem tantas vezes contemplada

no espaço exíguo de retângulo

iluminado

em vão o esforço de entender

toda a tragédia

de astronauta preso à Terra

não obstante nem distante

encapsulado

arco nenhum me cerca

nem esférico o ambiente

se revela

onde estou

docemente exilado

minha bolha sem qualquer prurido

inexistente chaga

nenhum incômodo me causa

ao tato percebo mão carinhosa

doce carícia suavidade

que me afaga


Canto de pássaro

voo célere

dentre os ruídos

queda de mangas

papagaio, curica, periquito

em colheita alvoroçada

dentre as flores coloridas

uma flor

passeia lépida tranquila

em curtas passadas

enfeite do jardim

a que empresta suave odor

exala e seduz

captado meu ardor

chega-se a mim

se há peso

no seu caminhar

talvez bem saiba

ela carrega peso tamanho

dimensão correspondente

ao meu amor

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