Bolha
- Professor Seráfico

- 17 de mar. de 2021
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Bolha
De repente percebo-me
numa bolha
imagem tantas vezes contemplada
no espaço exíguo de retângulo
iluminado
em vão o esforço de entender
toda a tragédia
de astronauta preso à Terra
não obstante nem distante
encapsulado
arco nenhum me cerca
nem esférico o ambiente
se revela
onde estou
docemente exilado
minha bolha sem qualquer prurido
inexistente chaga
nenhum incômodo me causa
ao tato percebo mão carinhosa
doce carícia suavidade
que me afaga
Canto de pássaro
voo célere
dentre os ruídos
queda de mangas
papagaio, curica, periquito
em colheita alvoroçada
dentre as flores coloridas
uma flor
passeia lépida tranquila
em curtas passadas
enfeite do jardim
a que empresta suave odor
exala e seduz
captado meu ardor
chega-se a mim
se há peso
no seu caminhar
talvez bem saiba
ela carrega peso tamanho
dimensão correspondente
ao meu amor

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