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A arma certa

Quantas vezes o leitor leu ou ouviu que os benefícios concedidos aos pobres devem ser reduzidos?Que é indevido o pagamento de bolsa família? Que o número de servidores públicos deve sofrer pesados cortes? Quantas terão algum dia lido ou ouvido qual o montante da sonegação tributária? Ou alguém terá um dia ouvido ou lido, declaração de empresário defendendo maior volume de recursos para a saúde, a educação, a ciência e a tecnologia? Ou apenas exigindo a melhoria da qualidade dos serviços prestados pelos órgãos executores dessas funções? Talvez pela primeira vez os leitores terão sido informados do montante do valor que não entra nos cofres públicos, por força da sonegação - cerca de 240 bilhões de reais. Algo próximo de 10% do orçamento público da República. Nunca disseram a esses mesmos leitores quanto sai dos cofres públicos para pagar juros da dívida pública, estimados em quase 400 bilhões de reais, no período 2018-2020. Muito menos lhes terão dito que esses juros fazem aumentar a sangria de recursos brasileiros, cada vez que o COPOM decide manter ou aumentar a taxa SELIC. Os leitores, todavia, já flagraram a aparência indignada e o cenho cerrado dos que sonegam, clamam pelo corte de gastos sociais, reivindicam a redução do tamanho do estado e aplaudem o pagamento de juros exorbitantes aos credores do governo. Estamos à véspera de uma eleição municipal. Essa a hora de dizer se os leitores participam da hipocrisia perversa de nossas elites, ou a abominam. Se usarem seu título de eleitor como arma e o voto como a munição, evitarão que pilantras também renovem ou conquistem o mandato. Parece difícil substituir a bala (o boi e a Bíblia, também) pelo argumento. Não o é, porém, trocar o favor recebido, pela razão. Só isso nos aproximará do dia em que a boiada não sacrificará a vida de tantos brasileiros e o Estado voltará à laicidade que toda república merece.


 
 
 

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