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Voto útil

28 de ago. de 2022
3 min de leitura

Cresce a necessidade de profunda reflexão sobre o uso do voto útil, na eleição presidencial de 2 de outubro. Admita-se a possibilidade de Simone Tebet e Ciro Gomes colherem significativo ganho, no exíguo período que nos separa do pleito. Lembre-se que nenhum deles chegou ao segundo dígito na preferência dos eleitores consultados. Conhecendo-se o nível da polarização a que chegamos, os números apresentados como resultado das pesquisas e o número de dias que nos separam do 2 de outubro não se ajustam. A não ser que fato absolutamente imprevisível ocorra. Um segundo atentado como o de Juiz de Fora, em 2018, tem pouca probabilidade de ser planejado. Executado, menos ainda, sob outra forma e cenário. Também não se espera ocorra acidente como o que tirou Eduardo Campos da corrida presidencial, em 2014. Indesejável, um acidente que alterasse o quadro de concorrentes só aproveitaria aos que fazem da morte alheia motivo de alegria. Neste caso, nem todos os concorrentes se veriam satisfeitos. Assim, levadas em conta as variáveis que convergem para os interesses da maioria da sociedade, o voto útil pode ser conferido já no primeiro turno. Em qual dos candidatos? Certamente no que já governou, sem restringir os direitos de todo cidadão, em proveito do Estado Democrático de Direito. Por mais que se veja quase impraticável, tamanha a diferença do balanço de qualidades/vícios, virtudes/defeitos dos mais destacados concorrentes, algum tipo de comparação pode ser feito. Quando nada, a trajetória dos competidores referidos. Aquilo que, fossem outras as circunstâncias, chamaríamos de folha corrida. Também há de pesar na avaliação dos eleitores o esperado fracasso da corrente nem-nem, em que se traduziria a frustrada terceira via. Ela representa, mais que uma promessa, manifestação de exacerbado negativismo. Neste caso, a fórmula (nem-nem) transparece no próprio termo. Restará ao eleitor, portanto, colocar as coisas nos seus devidos lugares. Isso não pode ser feito, se escapar à compreensão e interpretação de qualquer cidadão merecedor desta condição, o cerne da questão enfrentada neste exato momento. A eleição de 02 de outubro caracteriza-se, sobretudo, pelos riscos que cercam a democracia e o Estado Democrático de Direito. Os recuos táticos dos que clamam por nova ditadura, desta vez tendo a comandá-la um excluído das forças armadas, nada pode prometer, além do que o período 1964-1983 nos legou. Nem podem ser esquecidos como se não tivessem sido algum dia proferidos, os achincalhes desferidos pelo Planalto, em torno da pandemia, da tortura, dos indígenas, dos pretos, das mulheres, dos que desejam estudar, dos moradores de rua, dos ribeirinhos - mesmo dos investidores e migrantes que vêm à zona franca de Manaus - atrás de lucros ou de salários. Compreende-se que Ciro Gomes e Simone Tebet, além de outros menos cotados nas pesquisas, desejem participar do pleito. Nenhum deles, porém, pode alegar ignorância quando se trata de pesar os riscos de se manterem candidatos. Se não renunciarem antes do dia 02 de outubro, correm o risco de obter votação menor do que ostentam atualmente. O voto útil passará pela porteira, como tem passado a boiada que trágica reunião de abril de 2020, no Planalto, anunciou. Se não tiver utilidade para os que desejam continuar mentindo e fazendo da mentira instrumento de seus apetites, maus propósitos e taras, o voto útil poderá servir ao povo brasileiro. Em nome dele e da superação do sacrifício que lhe tem sido imposto, votar útil é o que há de mais patriótico, neste momento.

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