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Vira, vira... virará?

O infortúnio ensina mais que o prazer. A alegria não provoca mudanças. Estas só são geradas quando enfrentamos dificuldades que nos levam à tristeza. Às vezes, infelizmente, ao luto. Inquietação e dúvida conduzem consigo vírus capazes de promover eficazes respostas a importantes desafios.

Muitos poderiam dizer corresponderem as palavras acima aos otimistas, os que insistem em buscar a utopia. Concordo inteiramente com essa acusação. (Sim, a fórmula acima, no mínimo é atribuída aos que alimentam sonhos). Apego-me a uma constatação que não me cansarei de repetir: a realidade é uma só. A diferença está na percepção dos que se deparam com os fatos como eles são. Há os que os veem com lentes cinzentas, como há os portadores de lentes verdes. É a cor que a realidade traz para dentro de nós que classifica, otimistas num lado, pessimistas no outro.

Confesso-me otimista por excelência. Em especial, por reivindicar o direito do mais amplo exercício do livre arbítrio. Não por pequeno grupo de pessoas, mas por todos os que se percebem animais realmente superiores.

Para permanecer otimista, senti a necessidade de elaborar mentalmente certos raciocínios, transformados em divisas orientadoras de minhas ações. O primeiro deles: a utopia é o lugar ainda não alcançado. Não se trata, portanto, de algo impossível. Cabe ao homem procurar esse lugar insistentemente. E durante toda sua vida. A falência da utopia representa, em consequência, a própria morte. Até que a ciência o comprove, continuarei pensando que cachorros não sonham, gatos não sonham, hipopótamos também não...

Não precisamos ser cultos, eruditos ou detentores de alto grau acadêmico para entendê-lo. Basta lembrar Leonardo Da Vinci, séculos atrás empenhado em fazer o homem trafegar pelos ares.

Outro dos meus – permitam-me chamá-los assim – lemas diz respeito à possibilidade de o homem realizar tudo quanto sua cabeça concebe. Por mais imaginosa que seja, se a ideia já habita a cabeça humana, a observação da realidade levou a ela. A apreensão e a compreensão do problema traz junto com elas a possibilidade de resolvê-lo. Apesar dos terraplanistas, apenas mais um resquício da época das trevas. Não menos.

Também recuso dizer não a mim mesmo. Os outros que o digam, pela probabilidade de apresentarem argumentos que me permitem aprender. E, aprendendo, ser persuadido por suas razões. Muitas vezes, o não acaba em resultados melhores que a concessão, a concordância, o aplauso.

Fiel a essas ordens-mestras, chego a conclusões aparentemente absurdas, se não enlouquecidas. Uma dessas conclusões baseia-se nos males da desigualdade sob cujo pálio se movimenta o mundo. À produção de lixo alimentar corresponde a fome de parcelas crescentes da população do Planeta. A situação de miséria em que vivem nações inteiras, em quase todos os continentes, choca-se com a acumulação exorbitante de ínfima e perversa minoria. A violência espalhada pelo mundo pune os mais pobres e os torna inimigos a combater, na guerra declarada unilateralmente pelos acumuladores.

Não obstante, os ricos somam ao sofrimento físico, psíquico e social imposto à maioria de seus contemporâneos, a destruição do ambiente natural. Comprometem, portanto, a própria sobrevivência das próximas gerações. Em última análise, o equilíbrio do Planeta.

O sistema econômico, como está organizado e é agressivamente defendido pelos ganhadores de sempre, não se pode manter, se não nas condições ora testemunhadas. Crescer, crescer e crescer é a ordem suprema. Não importa o preço, especificamente a desigualdade com a qual convivemos e cujos resultados sobre a vida humana e a do Planeta são parte presente e notável na realidade social.

Daí a absoluta pertinência de considerarmos o propósito de permanente e sucessivo crescimento material como ofensa ao mais elementar sentimento de civilização e humanidade. Bastasse o crescimento econômico para fortalecer as relações humanas, assegurar oportunidades a todos os habitantes da Terra, manter o equilíbrio ecológico e reduzir drasticamente a desigualdade, então seria o caso de reivindicar taxas de crescimento em permanente ascensão. Não tem sido, não é, nem será o caso. Os últimos séculos dizem mais que mil textos acadêmicos.

O que poderia soar como absurdo, porém, aconselha advertir: a permanecer o padrão de distribuição da riqueza experimentado, maiores cada vez mais a concentração e a desigualdade. Nestas condições, melhor é não crescer.

Quem sabe haverá o dia em que o pranto pelos que o coronavírus abateu será compensado pelo desvio da sociedade humana, que a partir daqui pode enveredar por outros caminhos?

Depende apenas de querermos - nós, a sociedade! É outra das minhas mais arraigadas convicções.

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