Vida, o bem maior

Dom Pedro Casaldáliga nasceu na Catalunha e será sepultado na sua terra, cemitério onde jazem os corpos de índios e camponeses resistentes à ação criminosa de invasores. Jamais o sacerdote católico se mostrou um estrangeiro entre nós, como ocorreria onde quer que tivesse vivido, lutado e fechado os olhos para o Mundo. Sua terra era a Terra, este planeta contra o qual tanto se tem feito, da devastação até o genocídio. A crença que Dom Pedro trazia consigo facilmente deixava ver a esperança de seus pósteros experimentarem a vida comum anunciada faz mais de 2020 anos. Porque era assim, o Bispo Emérito de São Félix do Xingu escreveu, em parceria com outro sacerdote, José Maria Vigil: "...já é a hora de empurrar esse governo mundial para exigir uma distribuição justa e equitativa das vantagens da tecnologia, proibindo suja apropriação privada: uma democracia real e tecnicamente possível, não simplesmente um voto periódico representativo; agora é possível implementar a biocracia planetária e acabar com a ditadura dos direitos humanos antropocêntricos acima da comunidade da vida. São utopias, que há apenas algumas décadas eram ainda sonhos irrealizáveis, mas é a primeira vez que temos meios tecnológicos de que esses sonhos caiam pelo seu próprio peso, como um fruto maduro de uma acumulação de desejos, lutas e aumento de consciência".

Casaldáliga e Vigil tratavam do que o título do texto chama Revolução (4.0) à vista, na agenda-livro Latino-América 2020, Alerta de Tsunami Iminente (Editado pela Comissão Dominicana de Justiça e Paz do Brasil, Goiânia, GO, 2020).

Chamo a atenção, nestes tempos de pandemia e necropolítica, para o termo biocracia - o governo da Vida.


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