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Vergonha alheia

Envergonho-me â leitura de certos relatos, abjetos e ridículos. Como o que encontrei divulgado nas redes antissociais, o único espaço que condiz com o veneno produzido pela mentira. O autor do depoimento iracundo e cheio de vileza, trata de sua visita à nação que ele vê como a sede do império ao qual seu país de nascimento deve submissão e honras. A descrição deslumbrada do império em ruína tenta impor aos brasileiros a ideia de que somos menores, vassalos obedientes e risonhos. Lá, cujo governante, por palavras, gestos, decisões e ações mostra a principal falácia de todos os tempos - o suposto clima democrático - é onde o bárbaro desfruta da desigualdade que ajuda a construir, na terra em que nasceu e de cujos irmãos extrai a última gota de sangue. Até um dia em que o objeto de sua idolatria põe-no a correr. Se antes a Interpol não o trouxer de volta, como tem feito aos construtores da infelicidade alheia. As agressões contra o Poder Judiciário sugerem o envolvimento do autor em atividades de que as autoridades policiais fazem seu ganha-pão. A denúncia nem sempre justa da prática de corrupção, vá-se ver, pode muito bem ser usada para desviar a atenção de atos semelhantes, por ele também praticados. Ao que se saiba, muitos desses brasileiros subservientes e colonizados omitem-se no esforço por resolver nossos próprios problemas porque, afinal, sua perversidade concorre para que tais problemas existam, desenvolvam-se e se ampliem. Percebo, todavia, chegar o momento em que, além da vergonha, sou tomado pela sensação de nojo.

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