Vai tarde...

Poucos anos terão deixado tão amargo sabor aos que o viveram, como este 2019 que hoje finda. No Brasil e em muitos outros países, não foram poucas as amarguras, nem irrelevantes os recuos. Quando se pensava ver fortalecidas e aprofundadas conquistas políticas, sociais e éticas, constatou-se a frustração das esperanças. Em algumas nações, a sensação que ultrapassa o último dia deste ano é a de termos caminhado para trás. O Brasil inclui-se dentre estas. Continua-se a matar - por tudo e por nada. Pior, com a perspectiva de ver aumentar ainda mais a violência que vitima sobretudo os pobres, pretos e jovens. Desmantelam-se a educação, a saúde pública e tudo quanto vinha fazendo do Brasil um país respeitado na comunidade internacional. Hoje só conseguimos despertar o desprezo e a chacota, a desconfiança e a desestima, em todos os continentes. A pretexto de combater a corrupção, ofendem-se a Constituição e as leis; desprestigiam-se instituições indispensáveis à configuração republicana e democrática. Amesquinham-se os mecanismos que poderiam cumprir o efetivo controle social das decisões. Mesmo antes de chegarmos a um grau seguro de liberdades democráticas, trata-se de eliminar tudo o que concorreria para lográ-lo. Pouco a pouco, o País entra no ambiente policialesco e vingativo característico dos sistemas autoritários. Quando são lembrados, os problemas recorrentes que infelicitam a vida do povo não anunciam menos que a imposição de mais gravames às classes de baixo. Para os de cima, tudo, para os outros, nada - como sempre tem sido. O que se anunciava novo já não tem como esconder as rugas de seu envelhecimento, também envilecimento pelo que tem de abjeto.

Que este ano se vá, porque já vai tarde.

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