Vírus, vícios

O vírus habita-nos

desde o sempre

ora se mostra

coisa feita bem

acabada

sem espinhos a coroa

corpo rotundo

a força igual

à outra que

outro fez

o mundo

Invisível

muito mais do que

o d’agora

rói-nos por dentro

enquanto torpe

nos explora

seu triste julgamento

impõe-se a todos

pois que a nenhum

escapa ou ignora

Vês aquele homem

sobre nós

no gavião que da Vinci

pôs de fora

sua enlouquecida lucidez

que apenas a usura

elabora?

Os pés na terra

como planta

bem nascida

segue o restante

ensandecida

fosse a vida

fugaz instante

plenamente consumida

estes não vemos

saber deles

não queremos

invisíveis são

as mãos que não projetam

na esperança da moeda

infame

quando – e se

mata cruel

ingente fome

quanto tem de

Imoral e abjeta

O gavião que sobre nós

passeia

ouros cobrindo

tranquila e injusta estrada

o andrajoso

vestido de necessidade

a um e outro

na hipocrisia

cultivada e na ceia

é o que chamamos igualmente

humanidade

Nenhum deles

custa-me dizê-lo

foge ao vírus ancestral

na convivência

os dois pés tendo

por base o mesmo

se o lustro e brilho

da conveniência

da insensatez

e da maldade

pavimentam os

trilhos da existência

Dos pés alguns tiraram

seu sustento

glória fugaz

às vezes só

vaidade

nosso pesar

perdão e tolerância

ofereçamos

seja ao menos

por piedade

ninguém os culpe

pela própria ignorância

Panóptico

virulento oportunista

ao vírus

nada nem ninguém

escapa

mentes corações pés

preenchem os espaços

do seu mapa

sorrateiro insidioso

traz consigo

a certeza do objetivo

desejado

faz-se amigo

de uns poucos

agradecido

deixando ao resto

o que restar

tristes rescaldos.

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