Uma lembrança


Como eu, a maioria das pessoas conhece médicos que se dedicam honestamente à cura dos pacientes. Alguns entregam sua saúde aos cuidados de profissionais bem preparados, criteriosos, que seguem à risca o juramento de Hipócrates. E não deixam de olhar e examinar os que vão aos seus consultórios, porque sabem quanto isso importa para o enfermo que os procura.

Felizmente, constituem maioria os médicos que assim procedem. Melhor, ainda, quando temos a feliz e tranquilizadora oportunidade de topar com algum deles, se nos sentimos com a saúde ameaçada.

Pois eu conheci um desses profissionais. Mais que tê-lo como o dermatologista competente e colega de academia, tinha-o como amigo. Não, é claro, por meus próprios merecimentos, mas por sua generosidade.

Esse de que falo, chegou a agendar minhas visitas para a última faixa de seu horário de trabalho, simplesmente porque gostava de conversar. De tudo, inclusive das queixas que eu lhe levava. E entrávamos pela noite, a falar de pessoas, livros, músicas, experiências profissionais – de tudo o que interessa a pessoas que gostam da vida e dos viventes.

Admito que com esse jeito haverá milhões de médicos. Duvido, porém, que haja muitos aptos a falar de ópera, de tango e de Eça de Queiroz como a pessoa de quem lhes falo. Muito menos de pescaria, pescadores e suas histórias, aposto não serem muitos os que o fariam tão bem.

Menos, ainda, capazes de escrever sobre as histórias e as estórias, compartilhadas ou inventadas, como GILBERTO FERNANDES o fazia.

Para confirmar o que vem dito acima, a leitura desta obra (Estória de pescadores. Tangoestórias*) não será mais que um complemento. Desfrutem da companhia de Gilberto, porque na memória é que se eterniza quem soube seu papel e o desempenhou com profundo senso de humanidade.

Manaus, 07 de outubro de 2017


* Livro publicado pelo médico Gilberto Fernandes, em 2014. Manaus, AM, Edição do autor.

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