Um par perfeito

A reforma permanente seria tudo quanto entreteria os políticos, se de fato eles estivessem preocupados com o bem-estar dos que lhes concedem mandatos. A vida é tão dinâmica e tão veloz passa o tempo (ou por ele passamos?), exigindo atenção permanente dos formuladores de políticas públicas, parlamentares e demais dirigentes públicos. Precisa-se reformar a administração? Sim! É necessário substituir a legislação tributária? Sim! A reforma agrária deve ocorrer? Sim! A sociedade exige mudanças profundas nas políticas de segurança, alimentação, saneamento, saúde, ambiente? Sim, dependendo do setor. Não se pode porém, começar nada sem que sejam suficientemente diagnosticados os problemas de cada área. Na administração, por exemplo, nada levará a bons resultados, se antes não soubermos onde há, e em que grau, carências nos serviços públicos oferecidos à população. Nada que comece por decisão a priori, que não é outra coisa a tentativa pura e simples de reduzir o tamanho do Estado. Nem se há de vislumbrar resultados duradouros, se as alterações tributárias pouparem os que mais têm e exigirem mais dos que quase nada têm. Ou seja, a justiça tributária deve ser o farol a iluminar os reformadores. Uma das causas da derrubada de João Goulart, as reformas de base - assim chamadas - pareciam orientadas por objetivos e valores menos perversos que os hoje anunciados. Se é difícil recompor o passado, não o é imaginar cenários e compará-los. Conhecer o ontem, observar o que lhe sucedeu, desenhar a realidade atual e, assim, promover a justa avaliação. A ideia central, qualquer o ângulo e setor apreciado, não pode ser outra, se não a redução da desigualdade. Com a urgência que se faz necessária, mas igualmente hostil à ignorância e ao autoritarismo. Em geral, um par perfeito.

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