Tudo será fake-news


Reconheça-se o esforço dos comunicadores das redes de televisão para levar aos telespectadores informações relevantes sobre o cotidiano de todos. Entendam-se as inevitáveis dúvidas que eles mesmos mantêm, diante da pluralidade de (admitamos o lugar-já-comum) narrativas. Nenhum dos fatos noticiados e comentados, contudo, tem o mesmo grau de ineditismo atribuído à covid-19. Tanto, que os pesquisadores, autoridades públicas e os meios de comunicação debitam a um novo coronavírus a pandemia ora enfrentada. (Desculpe o leitor, se não usei o verbo assolar, usado nem sempre adequadamente). A novidade da cepa, no entanto, não afeta o cenário mais amplo, nem tem força para revogar constatações anteriores, referidas a todas as relações sociais.

Ainda hoje, o âncora do Jornal do Amazonas (Rede Amazônica), jornalista Amaral Augusto teceu consideração absolutamente avessa à realidade com a qual convivemos. Referia-se ele ao que chamou insegurança jurídica, de que padecem os negócios profundamente dependentes dos estímulos, incentivos e favores característicos da zona franca. Entende Amaral que “quando a Zona Franca vai bem, os trabalhadores também vão”. Não sei em que bases de dados o jornalista foi buscar essa relação positiva entre os lucros auferidos por uns poucos e a ínfima parcela que chega ao bolso dos trabalhadores. Suponho ser do conhecimento dos profissionais da comunicação o grau de desigualdade registrado entre nós, de que dão conta os problemas sociais com os quais nos defrontamos diariamente. Todos eles mencionados nas melhores fontes, não bastasse o testemunho presencial dos que vivem aqui e têm olhos de ver. Fosse uma questão secundária, o juízo de Amaral passaria despercebido, sobretudo pelo telespectador eventual ou desatento. A um observador interessado nos problemas sociais e preocupado com os efeitos da desigualdade resultante do processo de acumulação, porém, a abordagem equivocada desafia. Desafiado, o telespectador há de perguntar-se: quais as fontes consultadas pelos jornalistas, como subsídio às atividades típicas de seu exercício profissional? Sem criteriosa coleta de dados em fontes acreditadas, e sem interpretação desses d m b ados e informações produzidas, tudo acabará por tornar-se fake-news.

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