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Trivialidade criminosa

Embora realizadas sob justificável e relativo sigilo, as acareações entre envolvidos na trama golpista frustrada em 08 de janeiro de 2023 parecem reproduzir o parto da montanha. Delas, por enquanto, não terá resultado mais que meia dúzia de camundongos. Ao que se sabe, os confrontos entre o quase-ex-tenente coronel Mauro Cid e o general Braga Netto e o general Freire Gomes e o ex-Ministro da Justiça Anderson Torres nada acrescentaram ao que a Polícia Federal apurou, nas investigações que conduziram todos, à exceção do general Freire Gomes, à condição de réus. Vai-se levando à crença de que a acareação dos dois primeiros, pelo menos, foi tudo, menos esforço sério por esclarecer fatos supostamente duvidosos. Ao contrário, quem algum dia tenha militado na advocacia no mínimo suspeitará de que há um jogo de alguma forma articulado para tornar menores as penas dos dois primeiros militares acareados. Camaradas na caserna, Cid e Braga Netto mantiveram a pose anterior, quem sabe até que ponto ainda baseados nas relações superior-e-subordinado durante longos anos mantidas. De tal sorte, que a reunião na casa do general, onde foram discutidas minúcias e providências próprias das conspiratas, na verdade, foi uma encontro para conversar trivialidades. A primeira parte confere com o que disse e reiterou o ex-fac-totum do ex-Presidente da República; a segunda refere-se à puerilidade afirmada pelo ex-candidato à Vice-Presidência, à altura da trama golpista membro destacado dentre os conspiradores. Conspiração, aliás, mais para piração que para outra coisa, tanta a fartura de provas por eles mesmos produzidas. Também pode ser que o general Braga Netto considere trivial tramar contra a democracia, eis que golpes de estado não têm faltado aos nossos registros históricos. Desde a maioridade de Dom Pedro II até 08 de janeiro de 2023. Uns, consumando a usurpação do poder, como o de 1964; outros, frustrados, como o de 2022-2023. Também pareceu trivial a Mauro Cid receber, como ele alega, dinheiro acomodado em caixa de vinhos, sem identificar quem a entregou e onde, a ele mesmo, o acareado. Enfim, no auditório do Chacrinha, era clara a intenção de confundir, não esclarecer, como dizia o velho e saudoso palhaço Abelardo Barbosa. Não são tão triviais assim, para a mais alta corte de Justiça do País, os acontecimentos que levaram os caríssimos (entre si) acareados à presença do Ministro Alexandre de Moraes.

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