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Triste regresso

Os fatos são importantes, por mais que não o pareçam. As palavras também são importantes, e mais seriam se realmente dissessem tudo. E não é o caso. O folclore político brasileiro registrou a expressão de um mineiro, para o qual se sua narrativa não coincidia com a realidade testemunhada por ele e tantos outros de seus colegas e a opinião pública, "pior para os fatos". Quando a verdade sucumbe e cede seu lugar à mentira sistemática, ao descaramento mais sórdido em enunciá-la e emprestar-lhe ampla circulação, mais se aplica o que disse o esperto conterrâneo de José Maria Alckmin. Arrisca desmoralizar-se, até mais que o inventor e disseminador de mentiras, o que não conseguiu ler o que as linhas ou a gravação de áudio não captaram. O que se esconde na palavra pronunciada e não chega aos ouvidos dos outros é o que mais interessa. Ali estão as causas, recentes ou remotas e as inspirações mais ocultas do fato narrado.

Ouvi, ontem, a notícia sobre a regulamentação dos serviços prestados pela Uber, na capital paulista. Os motoristas contratados alcançaram o que para eles tem o sabor de vitória: agora, serão obrigados a trabalhar apenas (!) 12 horas diárias. Trocando em miúdos: há mais de um século o trabalhador brasileiro conquistou o direito de jornada diária de trabalho de oito horas. Paira ainda sobre a cabeça dos "agraciados" com a redução (sim, os motoristas precisam de mais que 12 horas/dia, para pagar os compromissos assumidos com os proprietários dos veículos em que trabalham): a prometida redução do número de licenças para prestar esse tipo de serviço. Esse foi o conteúdo da notícia, dita como se se tratasse de uma trivialidade. Mas não é!

A marca em direção ao passado segue firme. Só não enxerga quem não tem olhos de ver...

Os outros, do outro lado, enxergam muitíssimo bem. Por isso a marcha segue seu infausto rumo.

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