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Tiro no pé

Na política, como na guerra, nada pior que receber o tiro amigo. Ainda mais, quando os inimigos reais não dão qualquer tipo de trégua ou revelam a disposição de deixar as coisas esfriarem. Para agravar a situação, ter o inimigo mais próximo multiplica os riscos e amplia os prejuízos e as perdas. Esse é, no entanto, o cenário em que se move o triPresidente Luís Inácio da Silva. Quando seria a hora e colher os resultados - que se espera iniciais apenas - de seu primeiro ano da terceira gestão, às dificuldades criadas pelos opositores nas mais diversas frentes e sob os mais variados pretextos, vê-se Lula mostrar-se o mais destrutivos dos atiradores contra ele mesmo. É o Presidente Luís Inácio atirando em Lula. Mais uma vez, com o auxílio de Janja, tão diferente da que evitou a decretação do GLO (ou é GOLpe?) e impediu o êxito do golpe elaborado há décadas e frustrado em 8 de janeiro de 2023. A acusação de que os ocupantes anteriores do Palácio do Alvorada haviam limpado o prédio concebido por Niemeyer mostra-se agora destituída de qualquer grau de veracidade. Tudo balela, igualando os dois rivais, um dos quais quase nada mais tem a perder. Enquanto isso, Luís Inácio Lula da Silva vai dizendo bobagens e cometendo deslises que acabarão por prejudicar até a permanência prestigiada no cenário mundial e, pior para ele, a possível conquista de um cargo de relevo nas organizações internacionais. Como se isso fosse pouco, Lula desestimula iniciativas que pretendam impedir o esquecimento das atrocidades e crimes de toda natureza, cometidos no período 1964-1985. Recomendar silêncio é o mesmo que desmentir e desautorizar tantas outras manifestações que, passado o mais tenebroso período da História do Brasil, revelaram a quanto podem chegar a perversidade e o ódio de alguns seres tidos por humanos. Mais que isso - e mais grave ainda - é ignorar quantos os brasileiros sacrificados, graças à permanente luta pela democracia, a mesma que recuperou Lula e o pôs acima das criminosas acusações que contra ele foram produzidas e divulgadas. Mas ainda há coisa pior: desdenhar da necessidade e da memória de tantos órfãos e viúvas produzidos nas ruas e nos porões controlados pela ditadura e seus apoiadores. Quando se impede a memória, a História será alimentada de informações tóxicas. As mesmas capazes de matar o objeto e o motivo de tanta luta.

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