Terrorismo bíblico

Da atenção que dermos ao discurso e às ações que os acompanham pode resultar apreciação mais próxima da realidade. Quando o Presidente da República anunciou sua preferência por escolher um Ministro do STF terrivelmente evangélico, ele disse o que desejava dizer, sempre fiel àquilo em que acredita. Mesmo depois de posto no Supremo Tribunal Federal o Ministro Kássio Nunes Marques, ainda havia dúvidas sobre o significado da expressão. Poucos os que deram atenção à própria história do Presidente, mandado embora das Forças Armadas para um retiro nada espiritualizado, mas materialmente satisfeito, pela acusação de um ato nada menos que terrorista. Assim tipificado, todavia, apenas quando praticado pelos que se jogam contra o poder dos que se veem como deuses. Se a usina que abastece de água o Rio de Janeiro não explodiu, assim poupando milhares de vidas humanas, as aglomerações patrocinadas pelo governo e endossadas pelo terror togado obtém resultados mais agradáveis aos seus promotores e executores. Os números não deixam mentir. Uma espécie de terror bíblico, que se pensava eliminado do convívio da sociedade humana, sobretudo nos dias em que se pretexta rememorar a paixão de um tal Jesus de Nazaré. Sequer se dão conta os terroristas bíblicos, de que a pregação do andarilho que o egoísmo e a perversidade oficial mataram na cruz advogava e propalava a presença do ser superior em que criam, em qualquer lugar. Algo diferente do mercado onde é necessário ir, porque lá pé que se encontram os bens necessários à satisfação de nossos intestinos e de outras vísceras. O deísmo praticado por esses terroristas, no entanto, mostra-os empenhados em substituir os altares e tabernáculos por caixas registradoras muito bem operadas. Nada além disso.

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