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Terror judiciário

As metásteses do câncer social (ou será moral?) vão aos poucos surgindo, em maré montante que pode deixar perplexos os incautos. De onde menos se espera, é de lá mesmo que vêm notícias que só não dizemos desesperadoras, porque a esperança um dia há de se confirmar. Os pilantras de toda espécie serão levados à penitenciárias, sem que seja preciso torturá-los, humilha-los, enxovalhar suas famílias ou dispensar o rito legalmente vigente - o devido processo legal. Como vem sendo feito nos últimos meses, ainda que eventualmente submisso a vícios decorrentes do mal maior, a desigualdade que estabeleceu cotas discriminatórias entre os cidadãos de primeira classe e os outros. Penduricalhos à parte, cada passo que se der no sentido de chegar aos padrões republicanos que todos lisonjeiam e traem, ou ao aperfeiçoamento da democracia, cuja permanência ou aprofundamento ainda parece depender da emissão de ordens à moda da prática das organizações criminosas, será bem-vindo. Detrás da grade estão os chefões do crime organizado, mas é de lá que vêm as decisões seguidas pelos que ainda não lhes foram fazer companhia. Quando à cúpula do Poder Judiciário chega um profissional cuja maior qualidade é a prática do terror religioso, pouco se pode esperar que dele advenha algum sinal de grandeza. Não fosse o terror um dos fantasmas aproveitados pelos amantes das ditaduras e dos métodos por ela utilizados. Quando todos apontam, com larga margem de razão, irregularidade na conduta de muitos dos magistrados, pega-se o terrível julgador incurso na mesma prática. Sua piedade e amor ao próximo, porém, o fazem prometer que todos os lucros advindos de seu exercício à margem da Justiça serão destinados a obras sociais do interesse de seu terrífico credo. Imaginar-se, ao menos, algum constrangimento na confissão parece despropositado, se os antecedentes e os fundamentos da investidura no posto forem levados em conta. Não é que se trate de pecado individual, pois as ramificações do mal não escolhem com tanto rigor. Elas apenas seguem o caminho traçado pelos que dele se beneficiam e ser honesto e probo parece indigno para o mercado. Vencer, vencer e vencer reduz-se, assim, ao tamanho da conta bancária e do patrimônio material do indivíduo. Falar de patrimônio moral ou social parece coisa de louco.

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